Descoberta em La Rioja: encontram fósseis de um animal pré-histórico anterior aos dinossauros em Talampaya

Uma equipe interdisciplinar de cientistas do Conicet, das universidades nacionais de La Plata e La Rioja, a CNEA e o Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia descobriu no Parque Nacional Talampaya fósseis de um réptil que viveu há 237 milhões de anos, durante o Triássico Médio Tardio, antes do aparecimento dos dinossauros.

O exemplar, batizado como shakajlura riojanensis (“lagarto bendito” na língua cacán do povo diaguita), pertence ao grupo paracrocodylomorpha, com um distante parentesco com os crocodilos atuais.

Características do fóssil

A análise do crânio de 60 centímetros encontrado na formação Chañares permitiu estabelecer que o animal media cerca de 6 metros de comprimento e era um carnívoro predador.

  • Apresenta diferenças com o luperosuchus fractus, um fóssil similar encontrado nos anos 70 no mesmo local.
  • A forma do focinho, os ossos ao redor do olho e o pré-articular da mandíbula o distinguem como uma espécie única.

A primeira pista sobre este réptil foi detectada em 2017, no âmbito de investigações sistemáticas em Chañares, uma área rica em fósseis de mamíferos, répteis, plantas e artrópodes.

fósseis em La Rioja
Os fósseis em La Rioja revelam segredos do passado.

Contexto paleontológico

Nos tempos do shakajlura riojanensis, o território fazia parte de Pangea, o supercontinente que reunia Gondwana e Laurásia. Por isso, este exemplar apresenta vínculos evolutivos com espécies encontradas no Brasil, Tanzânia e Índia.

O geólogo e biólogo Lucas Fiorelli, pesquisador do Conicet no CRILAR (La Rioja), destacou que a província é uma área privilegiada para a paleontologia, com projetos em Talampaya, Sanagasta e Santo Domingo. A formação Chañares, dentro do Parque Nacional, é uma reserva científica intangível, acessível apenas para pesquisadores acompanhados por guardas-parque.

Argentina, potência paleontológica

A Argentina ocupa um lugar central na paleontologia mundial, junto com os Estados Unidos e a China, graças à qualidade e quantidade de suas descobertas. Exemplos emblemáticos incluem:

  • Giganotosaurus carolini (Neuquén, 1993), o maior dinossauro carnívoro conhecido em seu momento.
  • Amargasaurus, Carnotaurus sastrei, Argentinosaurus huinculensis, Patagotitan mayorum e Herrerasaurus ischigualastensis, todos encontrados na Patagônia e no noroeste argentino.

Essas descobertas continuam a tradição iniciada por Florentino Ameghino, que retomou as observações de Charles Darwin no século XIX e abriu um caminho que continua vigente.

A descoberta do shakajlura riojanensis em La Rioja oferece uma peça chave para compreender a evolução da fauna antes dos dinossauros. Seu estudo reforça o papel da Argentina como referência mundial em paleontologia e demonstra que cada fóssil recuperado é um testemunho inestimável de um universo desaparecido que ainda tem muito a revelar.

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