A Organização Meteorológica Mundial (OMM) adverte que até o final de 2026 pode se desenvolver o episódio de El Niño mais intenso já registrado, potencializado pelas mudanças climáticas.
Este fenômeno ameaça provocar secas extremas na Amazônia, inundações globais e um aumento de ondas de calor em diferentes regiões do planeta.
O meteorologista Jeff Berardelli antecipa: “Vamos ver fenômenos meteorológicos que nunca vimos antes na história moderna”.
O que é El Niño
- El Niño: aumento anômalo da temperatura superficial do Pacífico equatorial.
- La Niña: sua contraparte, caracterizada por águas mais frias.
- Duração típica: entre 9 e 12 meses, com recorrência a cada 2 a 7 anos.
El Niño redistribui o calor do planeta, alterando padrões de chuvas e temperaturas em escala global.
Sinais de intensificação
- O calor subsuperficial do Pacífico se desloca para o leste e sobe à superfície.
- Os pulsos de água quente são dos maiores observados em registros históricos.
- A probabilidade de formação entre maio e julho de 2026 é de 61%, segundo Zero Carbon Analytics.
- Projeta-se uma duplicação de episódios extremos de El Niño à medida que as temperaturas globais aumentam.
Impactos esperados
- Secas na Amazônia: agravarão a degradação de florestas, que já afeta 40% da região.
- Inundações globais: mais umidade no ar intensificará tempestades e precipitações.
- Incêndios florestais: o excesso de calor aumentará o risco de incêndios severos, como adverte o Imperial College de Londres.
- Furacões no Atlântico: redução da atividade ciclônica, com um Caribe mais seco.
- Ondas de calor recorde: temperaturas médias globais podem atingir máximos históricos.

Riscos para a saúde e o ambiente
Os incêndios florestais, potencializados por El Niño, não apenas destroem ecossistemas, mas também deterioram a qualidade do ar e provocam problemas de saúde:
- Na Austrália (2019), a fumaça dos incêndios causou 417 mortes adicionais e milhares de hospitalizações.
- Entre 1975 e 2024, as horas potenciais de combustão aumentaram 36%, e os dias extremos entre 81% e 233%.
Mudança climática e El Niño
O climatologista Michael Mann lembra que El Niño é um fenômeno natural, mas a mudança climática amplifica seus efeitos. A doutora Friederike Otto enfatiza:
“El Niño vai e vem. A mudança climática piora enquanto não pararmos de queimar combustíveis fósseis. Esse é o verdadeiro motivo para entrar em pânico”.
Contexto político e científico
- A OMM adverte que o planeta está “mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história observada”.
- Líderes mundiais recuaram em compromissos climáticos, suavizando a linguagem e reduzindo a ambição.
- Em abril de 2026, a Colômbia foi sede da primeira conferência de alto nível para debater o abandono dos combustíveis fósseis. A próxima reunião será a COP31 em novembro.
El Niño 2026 pode se tornar o mais intenso da história moderna, com impactos devastadores em ecossistemas, economias e saúde pública.
Embora não possamos controlar os fenômenos naturais, é possível mitigar seus efeitos reduzindo o uso de combustíveis fósseis e fortalecendo políticas ambientais. A chave está em transformar o alerta científico em ação política e social.



