Florestas tropicais: um estudo no Equador confirma que podem recuperar 90% de sua biodiversidade em 30 anos

Um estudo inovador publicado na Nature confirma que as florestas tropicais secundárias podem recuperar mais de 90% de sua biodiversidade em apenas 30 anos, dentro de uma única geração humana.

A pesquisa foi realizada no Chocó ocidental do Equador, um dos ecossistemas mais biodiversos e ameaçados do planeta, e demonstra que a regeneração natural é uma solução escalável e rentável frente à crise global de biodiversidade.

Metodologia avançada

O estudo, intitulado “Biodiversity resilience in a tropical rainforest”, utilizou ferramentas de última geração:

  • Inteligência artificial.
  • Monitoramento bioacústico.
  • DNA ambiental (eDNA).

Foram analisadas mais de 10.800 espécies e 23.500 sequências bacterianas em 16 grupos taxonômicos, tornando-se uma das avaliações mais completas sobre recuperação de biodiversidade em florestas tropicais.

Resultados principais

  • As florestas secundárias recuperam em média 90% da abundância de indivíduos e diversidade de espécies em 30 anos.
  • A composição de espécies atinge uma semelhança de 75% com as florestas primárias.
  • A regeneração ocorreu sem reflorestamento ativo, apenas mediante a proteção do terreno.

Isso significa que, embora o ecossistema não seja idêntico ao original, consegue restabelecer grande parte de suas funções ecológicas e espécies características.

florestas tropicais
As florestas tropicais secundárias podem recuperar sua biodiversidade.

Retorno da vida selvagem

A regeneração já mostra resultados visíveis na Reserva Canandé de Jocotoco:

  • Redescobrimento da rã marsupial cornuda (Gastrotheca cornuta), Em Perigo Crítico.
  • Presença regular do pavão grande (Crax rubra) e do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).
  • Aumento das populações de macacos-aranha de cabeça marrom (Ateles fusciceps fusciceps), subespécie equatoriana em perigo crítico.
  • Recuperação de espécies endêmicas de magnólia, como a Magnolia dixonii, reclassificada de Em Perigo Crítico para Em Perigo.

O papel dos animais na regeneração

Os pesquisadores destacam que os animais não apenas se beneficiam da regeneração, mas são agentes-chave:

  • Morcegos e aves dispersam sementes.
  • Besouros rola-bosta enterram sementes no solo.
  • Mamíferos e polinizadores asseguram a reprodução de plantas.

Este ciclo de retroalimentação acelera a recuperação e fortalece a resiliência do ecossistema.

Implicações globais

O estudo sublinha que a regeneração natural requer proteção sustentada e conservação a longo prazo. Jocotoco, junto com parceiros comunitários, está criando uma rede de áreas protegidas desde as florestas tropicais do Chocó até os páramos andinos, conectando ecossistemas e aumentando sua capacidade de regeneração.

Dado que 60% das florestas tropicais do mundo já foram perdidas ou degradadas e 70% das restantes são secundárias, essas descobertas oferecem um roteiro global para reverter a perda de biodiversidade e enfrentar a mudança climática.

A pesquisa no Chocó equatoriano demonstra que a natureza tem uma resiliência surpreendente e que a regeneração natural pode ser uma ferramenta poderosa para a conservação. Com proteção sustentada e compromisso comunitário, as florestas tropicais podem recuperar sua biodiversidade em uma única geração, oferecendo esperança frente ao colapso ambiental global.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Desaparecimento de anfíbios em florestas protegidas dos Andes: impacto de doenças e espécies invasoras

O preocupante desaparecimento dos anfíbios em áreas protegidas está...

A névoa revela um ecossistema oculto: descobrem bactérias que ajudam a reduzir a poluição do ar

Durante décadas, a névoa foi considerada simplesmente uma acumulação...

Recorde de temperatura global em maio de 2026: o segundo mais quente já registrado segundo Copernicus

O Serviço de Mudança Climática Copernicus (C3S) informou que...