Após a reconhecida e bem-sucedida missão da CONICET no fundo do mar no Cânion de Mar del Plata, inicia-se uma nova missão científica em pontos-chave do Mar Argentino.
Para realizar este projeto, o Motovelero Oceanográfico Dr. Bernardo Houssay, pertencente à Direção de Proteção Ambiental da Prefeitura Naval Argentina, já partiu.
A missão, de grande importância em termos de conservação, concentrar-se-á no estudo de microplásticos e no levantamento de parâmetros ambientais essenciais para avaliar a saúde dos ecossistemas marinhos.

Nova missão científica no Mar Argentino: três zonas estratégicas de pesquisa
A campanha científica abrangerá três áreas de elevado valor ecológico:
- Área do Rincón, em Bahía Blanca (Buenos Aires).
- Golfo San Matías, na província de Río Negro.
- Reserva da Biosfera Patagonia Azul, em Chubut.
Em cada uma destas regiões, a equipe realizará amostragens de água, sedimentos e organismos para detetar e quantificar microplásticos, um dos contaminantes mais preocupantes para a vida marinha.
Análise ambiental e bioindicadores
Além do levantamento de microplásticos, a tripulação do Houssay medirá pH, temperatura, salinidade e oxigênio dissolvido no local, utilizando tecnologia de monitoramento de alta precisão.
Também serão analisados nutrientes e clorofila, bioindicadores fundamentais para avaliar o estado do fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.

Ademais, a equipe recolherá amostras para identificar possíveis espécies nocivas de fitoplâncton, um trabalho essencial para prevenir impactos negativos sobre a biodiversidade e as atividades pesqueiras.
As amostras serão submetidas a estudos através de técnicas de Espectroscopia Infravermelha por Transformada de Fourier (FTIR), com o objetivo de determinar a abundância e estrutura química dos microplásticos presentes.
Relevância do estudo de microplásticos
A presença de microplásticos nos oceanos constitui uma ameaça crescente para peixes, mamíferos marinhos, aves e, em última instância, para a saúde humana. Este levantamento permitirá medir o nível de contaminação em áreas estratégicas do Mar Argentino e desenvolver estratégias de mitigação mais eficazes.
Os resultados servirão como base científica para reforçar políticas de conservação, proteger espécies vulneráveis e garantir a saúde dos oceanos a longo prazo.
Além disso, em cada estação de estudo, conforme detalhado, será coletada uma amostra de água com garrafas oceânicas tipo niskin. Isto para levantar parâmetros físico-químicos como nutrientes, clorofila (bioindicador de fitoplâncton) e matéria orgânica dissolvida colorida.
O impacto dos microplásticos na natureza
- Nos animais: obstruções físicas e liberação de tóxicos que podem gerar inflamação, redução da fertilidade e impacto no desenvolvimento.
- Nas plantas: absorção de microplásticos pelas raízes, afetando o crescimento, disponibilidade de nutrientes e interação com microorganismos.
- Contexto global: os estudos sobre microplásticos aumentaram desde 2013, mas os ambientes de água doce têm recebido menos atenção em comparação com os oceanos.



