Milhares de esferas de gelo cobriram uma lagoa da Patagônia: o fenômeno natural que surpreendeu em Copahue

A Laguna Melliza Superior, localizada em Caviahue-Copahue (Neuquén), surpreendeu cientistas, turistas e habitantes locais ao aparecer coberta por milhares de esferas de gelo perfeitamente arredondadas.

Este fenômeno, conhecido como ice balls, foi registrado pela fotógrafa Alejandra Heis através de uma técnica panorâmica noturna de 180 graus, que imortalizou uma paisagem única: um espelho d’água transformado em um campo de esferas congeladas sob um céu claro.

A imagem se tornou ainda mais impactante ao coincidir com condições astronômicas excepcionais: a Via Láctea, as Nuvens de Magalhães e um intenso airglow avermelhado e esverdeado gerado pela atividade solar.

Como se formam as esferas de gelo

Os especialistas explicaram que estas estruturas requerem condições ambientais muito precisas:

  • Temperaturas abaixo de zero: na região foram registrados -3 °C.
  • Água no limite de congelamento: o lago mantinha água líquida na superfície.
  • Ondas e vento forte: que adicionam camadas concêntricas de gelo ao redor de um núcleo inicial.

O processo começa com flocos de neve ou geada que caem sobre a água. O vento e as ondas moldam as camadas até formar esferas compactas que flutuam e se acumulam na superfície.

Fenômeno efêmero e recomendações

Guardiões do parque alertaram que este tipo de formações são efêmeras: uma nevasca intensa pode enterrá-las rapidamente.

Por isso, pediram aos turistas que tomem cuidado extremo e evitem caminhar sobre as frágeis estruturas para preservar o espetáculo natural.

esferas de gelo
As esferas de gelo na Laguna Melliza Superior oferecem um espetáculo visual impressionante.

O frio extremo na Argentina

O aparecimento das esferas de gelo está ligado à onda polar que afeta o país, provocada por massas de ar antártico e ventos polares. Seus impactos incluem:

  • Congelamento de rios e lagos: em Santa Cruz, as temperaturas podem cair abaixo de -20 °C.
  • Geadas meteorológicas: cobrem campos e vegetação com geada branca no centro e norte do país.
  • Nevascas cordilheiranas e ventos brancos: tempestades de neve com visibilidade nula na cordilheira dos Andes.
  • Inversão térmica: ar frio estagnado em vales que gera nevoeiro congelado.
  • Chuva congelante e granizo suave: precipitações sólidas em áreas não habituais da região pampeana e do conurbano bonaerense.

Valor científico e turístico

O fenômeno das esferas de gelo não só constitui um espetáculo visual, mas também um objeto de estudo para a meteorologia e a climatologia.

Sua raridade na Patagônia o transforma em um atrativo turístico e científico, reforçando a importância de conservar os ecossistemas de alta montanha frente às mudanças climáticas.

Além disso, este tipo de eventos contribui para a divulgação científica, aproximando a população de conceitos como capilaridade, congelamento e a interação entre vento, água e temperatura. A viralização das imagens nas redes sociais também ajuda a sensibilizar sobre a fragilidade dos ecossistemas patagônicos.

O aparecimento de milhares de esferas de gelo na Laguna Melliza Superior é um lembrete da capacidade da natureza para surpreender e gerar paisagens únicas.

Embora efêmero, este fenômeno reflete a interação entre frio extremo, vento e água, e se soma à lista de imagens incomuns que a Patagônia oferece ao mundo.

Sua observação e estudo permitem compreender melhor os processos climáticos e valorizar a riqueza natural da região.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Agulhas de gelo em Misiones: como esse fenômeno meteorológico se forma e por que é tão raro

A intensa onda polar que afeta grande parte do...

Após os trágicos terremotos na Venezuela, quais são as áreas da Argentina com maior risco sísmico

O recente duplo sismo ocorrido na Venezuela reativou o...

Cientistas do Conicet iniciam exploração dos cânions Ameghino e Almirante Brown no Atlântico Sul, abril de 2027

Um novo capítulo de exploração marinha está prestes a...

Províncias argentinas com maior risco sísmico: impacto da atividade telúrica na Cordilheira dos Andes

A recente cadeia de terremotos na Venezuela colocou em...