Os grandes dinossauros e mamutes pré-históricos deslocavam-se a velocidades muito mais baixas do que se havia estimado durante décadas. Assim revelou um estudo internacional publicado na Scientific Reports em agosto de 2025.
Segundo a pesquisa, esses colossos percorriam distâncias a um ritmo semelhante ao de uma caminhada rápida humana. Isso modifica a visão sobre seus hábitos ecológicos e sua interação com o ambiente.
Velocidades máximas registradas
Os resultados mostram cifras muito inferiores às estimativas tradicionais:
- Mamute-lanoso (Mammuthus primigenius): mal superava os 20 km/h.
- Mammut borsoni: não teria superado os 15 km/h, apesar de seu peso de até 16 toneladas.
- Argentinosaurus hiunculensis: com suas 75 toneladas, não teria excedido os 10 km/h.
- Turiasaurus riodevensis: descoberto em Teruel, com 42 toneladas, atingia apenas 11,8 km/h.
- Mammuthus meridionalis (bacia de Orce, Granada): velocidade máxima de 18 km/h, mesmo no exemplar conhecido como o “Titã do Pleistoceno”.
Esses valores situam-se muito próximos —e até abaixo— das marcas obtidas por atletas humanos em marcha rápida, e distam das velocidades dos grandes corredores terrestres atuais.
Metodologia inovadora
A pesquisa foi coordenada por Javier Ruiz (UCM) e Juan Manuel Jiménez-Arenas (Universidade de Granada), em colaboração com a Universidade de Queensland (Austrália) e a Universidade de Helsinque (Finlândia).
A análise comparativa foi realizada utilizando dados empíricos de elefantes atuais, os animais terrestres mais pesados da fauna viva, que não superam os 25 km/h. A partir dessas observações, redefiniram-se os limiares de velocidade dos grandes mamíferos extintos.
Os cientistas explicaram que estudos anteriores superestimavam a velocidade real devido ao uso de equações que agrupavam animais com anatomias e locomoções diversas. Isso provocou que se calculasse uma velocidade dos elefantes até 70% superior à real, gerando erros na reconstrução do comportamento ecológico de espécies extintas.

Fatores que determinam a velocidade
O artigo destaca que a velocidade de deslocamento depende de:
- Tipo de locomoção: animais plantígrados frente a graviportais (com patas colunares adaptadas para suportar grandes pesos).
- Massa corporal: a partir dos 100 kg, a velocidade máxima diminui à medida que aumenta a envergadura.
Os graviportais, como os grandes dinossauros e mamutes, mostram velocidades muito inferiores em comparação com os digitígrados ou ungulígrados.
Implicações para a paleobiologia
Os novos resultados permitem aos paleontólogos reconstruir com maior precisão como se deslocavam, migravam e utilizavam seu ambiente as espécies de grande porte que povoaram a Terra.
Este ajuste metodológico marca um ponto de inflexão na paleobiologia funcional, corrigindo erros que durante anos influenciaram na interpretação da dinâmica ecológica e de sobrevivência dos grandes vertebrados extintos.
O estudo da UCM e seus colaboradores tornou-se uma referência para compreender fenômenos do passado remoto. Ao empregar dados atuais de animais vivos, oferece maior rigor científico para responder perguntas sobre os limites de velocidade e capacidades locomotoras dos gigantes pré-históricos, trazendo chaves relevantes para a pesquisa paleontológica futura.



