No passado dia 28 de agosto, na Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a empresa Gensus SA realizou a apresentação oficial de “O novo caminho do algodão”, um encontro que reuniu referentes do setor agrícola, científico, empresarial e governamental para anunciar um avanço histórico: a aprovação comercial do primeiro evento biotecnológico aplicado ao algodão desenvolvido integralmente na Argentina.
Tecnologia, genética e articulação público-privada
Durante o evento foram partilhadas as inovações que vão transformar a produção de algodão nos próximos anos, integrando genética avançada, biotecnologia, manejo sustentável e parcerias estratégicas com o sistema científico-tecnológico nacional e internacional.
“O novo caminho do algodão é fruto da sinergia entre investimento em I+D+i e articulação público-privada”, afirmou Pablo Vaquero, presidente da Gensus. “A incorporação de novas tecnologias permitirá melhorar a qualidade da fibra, aumentar o rendimento e potenciar as exportações. Este processo virtuoso, acompanhado por programas como Sembrá Evolución, fortalecerá a competitividade de toda a cadeia algodoeira argentina”.
Projeções para 2030: duplicar produção e triplicar exportações
Vaquero antecipou que, até 2030, é esperado que a Argentina duplique a sua produção, triplique as suas exportações e eleve a faturação da cadeia para mais de USD 1.700 milhões, graças a um crescimento de 60% nos rendimentos e um aumento de 30% na superfície cultivada.
O evento contou com a participação do Governador de Chaco, Leandro Zdero, que destacou o impacto do projeto na economia local: “A Gensus aposta forte na nossa província, que tem grandes oportunidades. Este avanço tecnológico dará tranquilidade e valor a toda a cadeia económica regional”.

Também estiveram presentes Nicolás Bronzovich, presidente do INTA, e Manuel Chiappe, subsecretário de Produção Agropecuária e Florestal. Bronzovich sublinhou a evolução do convénio de colaboração tecnológica iniciado em 2018, que hoje se traduz em genética exclusiva e plataformas de melhoramento acelerado. “São os ativos públicos do futuro”, afirmou.
Chiappe, por sua vez, celebrou o momento histórico que atravessa o agronegócio argentino: “Estamos a trabalhar com visão de país a longo prazo, com produtores dentro do Estado para que os processos fluam. Sigamos semeando, porque o país será muito melhor”.
Transferência tecnológica e competitividade internacional
Representantes da cadeia algodoeira concordaram que este avanço permitirá acelerar a transferência tecnológica, melhorar a competitividade e projetar o algodão argentino para os mercados internacionais.
Da Louis Dreyfus Company (LDC), Pablo Yezdrich afirmou: “Impulsionar o desenvolvimento tecnológico por trás de cada semente é fundamental para que o algodão argentino concretize o seu potencial. Na LDC, trabalhamos para conectar a produção com a procura global”.
Rastreabilidade, qualidade e propriedade intelectual
Matías Goodman, da FUNDAR, destacou três eixos estratégicos: propriedade intelectual e fiscalização de sementes, rastreabilidade da produção e classificação da qualidade da fibra.
“Há uma grande oportunidade, tanto pelo crescimento do consumo global como pelo margem exportador que ainda pode expandir-se”, referiu.
Claudio Mazás, da Mayton, realçou: “Está tudo pronto para crescer. O algodão complementa o negócio agrícola e, com maior produtividade, pode competir de igual para igual com outros cultivos”.
Do INTA EEA Sáenz Peña, Mauricio Tcach celebrou os resultados da ligação com a Gensus: “Levamos sementes para os EUA e comprovámos que o nosso germoplasma é competitivo. Hoje geramos eventos e temos alianças internacionais”.
Uma cultura com identidade, rastreabilidade e futuro
“O novo caminho do algodão simboliza um compromisso estratégico com a inovação e o desenvolvimento regional biotecnológico.”
Mais do que um avanço tecnológico, este lançamento representa uma visão de futuro: uma cultura competitiva, rastreável, sustentável e de qualidade internacional. Potencia as economias regionais, gera emprego e posiciona a Argentina como referência global em produção algodoeira.



