A indústria automotiva está mudando de marcha, e Ferrari decidiu acelerar em direção ao futuro com o lançamento de seu primeiro modelo 100% elétrico: o Ferrari Elettrica.
Este supercarro, cuja entrega está prevista para o final de 2025, marca um marco na história da marca italiana, que por décadas tem sido sinônimo de motores rugindo e velocidade sem limites.
Potência elétrica sem concessões
O Elettrica contará com quatro motores elétricos, um por roda, que oferecem uma potência combinada estimada de 1128 CV, permitindo acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e atingir uma velocidade máxima de 310 km/h. A tração integral com controle eletrônico em cada roda garante uma experiência de condução precisa e envolvente.
Além disso, incorpora uma bateria estrutural de 122 kWh e 880 V, integrada diretamente no chassi, o que melhora a rigidez do veículo e permite uma autonomia superior a 530 km por carga, compatível com estações ultrarrápidas de 350 kW.

Design sustentável e experiência sensorial
A Ferrari apostou na sustentabilidade sem sacrificar exclusividade. O chassi e a carroceria são fabricados em 75% com alumínio reciclado, o que reduz 6,7 toneladas de CO₂ por unidade produzida.
Quanto ao som, um dos aspectos mais sensíveis para os fãs, o Elettrica não simula o rugido clássico: utiliza acelerômetros no eixo traseiro para amplificar as vibrações reais do trem de força, criando uma experiência auditiva única.
O condutor poderá escolher entre cinco níveis de potência através de painéis no volante, modulando a sensação de aceleração contínua, uma característica distintiva dos esportivos Ferrari.
Eletrificação estratégica: evolução sem ruptura
O Elettrica faz parte do plano da Ferrari para que em 2030 sua gama seja composta por 40% híbridos, 40% combustão interna e 20% elétricos, uma revisão para baixo em relação ao objetivo anterior de 40% de elétricos.
A marca mantém uma postura cautelosa diante da evolução do mercado, reconhecendo que a eletrificação é uma adição, não uma transição, como destacou o CEO Benedetto Vigna.
A Ferrari tem mais de 15 anos desenvolvendo tecnologias elétricas, com antecedentes na Fórmula 1 e modelos híbridos desde 2013. O Elettrica não rompe com seu legado: ele o amplia.
Um mercado em tensão: tradição vs inovação
Enquanto a Ferrari avança, outras marcas como Lamborghini adiaram seus modelos elétricos até 2029, e a Porsche enfrenta desafios para equilibrar a demanda entre China e Ocidente.
A Ferrari, por sua vez, se beneficia de uma menor pressão regulatória e a possibilidade de oferecer modelos com combustíveis sintéticos, uma opção viável para sua clientela.
Novas gerações, novas expectativas
O Elettrica também responde ao interesse de compradores jovens e ricos, que buscam combinar prestígio, desempenho e sustentabilidade. Especialistas como Andy Palmer e Phil Dunne concordam que o verdadeiro desafio da Ferrari é preservar as sensações que definiram sua história, agora sob uma nova arquitetura elétrica.



