A Câmara Federal de Cassação Penal anulou uma resolução que permitia a retomada de desmatamentos em florestas nativas da província do Chaco.
A Sala IV, composta pelos juízes Mariano Borinsky, Javier Carbajo e Gustavo Hornos, ordenou a emissão de uma nova decisão em um caso que investiga irregularidades e suposta corrupção na autorização de permissões de desmatamento.
O tribunal aceitou os recursos do Ministério Público e da Associação Argentina de Advogados/as Ambientalistas, que haviam contestado a suspensão parcial de uma medida cautelar decretada em agosto de 2024.
Argumentos centrais da decisão
- Falta de fundamentação: Borinsky apontou que a decisão anterior não explicou por que a sanção de uma nova lei provincial implicava uma mudança real no risco ambiental.
- Princípio da precaução: lembrou que não é necessária certeza científica absoluta para prevenir danos graves ou irreversíveis, citando o precedente “Mamani” da Suprema Corte.
- Proteção efetiva: foi alertado que durante a vigência da cautelar já haviam sido detectados desmatamentos ilegais, o que demonstra a necessidade de manter medidas preventivas.
Intervenção penal em causas ambientais
Borinsky defendeu a intervenção da jurisdição penal, esclarecendo que decretar medidas preventivas não constitui uma intromissão em competências provinciais, mas sim o exercício do papel judicial de garantir direitos constitucionais como a proteção do meio ambiente (artigo 41 da Constituição Nacional).

A posição de Hornos
O juiz Gustavo Hornos sustentou que a cautelar deveria ser mantida diretamente, já que ainda não existe uma perícia que determine a magnitude do dano causado.
Suspender a medida implicaria consolidar um risco ambiental irreparável. Além disso, ele alertou que os órgãos provinciais encarregados do controle são justamente alguns dos investigados no caso.
Risco de corrupção e falta de controle
A investigação aponta para um possível fenômeno de corrupção na administração de autorizações de desmatamento.
O Ministério Público considerou “ilógico” delegar o controle à Direção de Florestas e ao Poder Executivo provincial, quando seus funcionários estão sob investigação como supostos participantes de uma associação ilícita.
Implicações sociais e ambientais
A decisão reafirma que o direito de viver em um ambiente saudável e equilibrado afeta tanto as gerações atuais quanto as futuras. A decisão de Cassação marca um precedente importante na defesa das florestas do Chaco, consideradas ecossistemas críticos para a biodiversidade e a regulação climática.
A resolução da Câmara de Cassação não só interrompe o desmatamento no Chaco, mas também fortalece a aplicação do princípio da precaução e a responsabilidade penal em causas ambientais. Trata-se de um passo significativo em direção a uma proteção efetiva das florestas nativas frente a desmatamentos ilegais e práticas de corrupção.



