A ONU aprova resolução que apoia a decisão da CIJ: os Estados devem responder pela crise climática

O 20 de maio, a Assembleia Geral da ONU aprovou com 141 votos a favor, 8 contra e 28 abstenções uma resolução não vinculante que apoia o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ) emitido em julho de 2025. Esse parecer considera que a falta de ação dos Estados frente à crise climática constitui uma violação do direito internacional.

O secretário-geral António Guterres celebrou a decisão como uma “poderosa reafirmação do direito internacional, a justiça climática, a ciência e a responsabilidade dos Estados”.

Conteúdo da resolução

O texto aprovado contempla:

  • Planos nacionais de ação climática para limitar o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 °C.
  • Eliminação gradual de subsídios à exploração e extração de combustíveis fósseis.
  • Reparação integral pelos danos causados àqueles que não cumprirem suas obrigações.
  • Reconhecimento dos “crimes qualificados” que implicam destruição generalizada ou danos duradouros ao meio ambiente.

Embora não tenha sido incluído o termo “ecocídio”, a resolução admite que os crimes qualificados podem abranger situações comparáveis, como incêndios florestais massivos ou poluição extrema.

Oposição de produtores de combustíveis fósseis

Estados Unidos, Rússia, Irã e Arábia Saudita se opuseram à medida, argumentando que contém “exigências políticas inadequadas”. A administração dos EUA havia pressionado anteriormente para que Vanuatu, país insular do Pacífico e promotor original do rascunho, retirasse a proposta.

A ONU adverte sobre a crise climática global. Foto: Unsplash.
A Assembleia Geral da ONU apoia ações contra a crise climática.

Vozes dos Estados insulares

O embaixador de Vanuatu, Odo Tevi, destacou que a resolução importa porque “o dano é real e já está aqui, em nossas ilhas e costas”. Os países do Pacífico há décadas denunciam o desaparecimento de seus territórios pelo aumento do nível do mar.

  • Em Tuvalu, mais de um terço da população solicitou vistos de migração climática para a Austrália.
  • Em Nauru, o governo recorre à venda de passaportes para financiar possíveis esforços de realocação.

Reações da sociedade civil

  • 350.org: destacou que a votação aproxima as comunidades de obter justiça frente à devastação causada pela indústria dos combustíveis fósseis.
  • Human Rights Watch: apontou que a ONU reafirma o compromisso global de proteger os direitos humanos, apesar das tentativas de alguns Estados produtores de petróleo de frear a ação climática.

Importância global

A resolução marca um ponto de inflexão no direito climático internacional:

  • Reforça a obrigação jurídica dos Estados de proteger as pessoas frente à crise climática.
  • Estabelece um quadro para exigir responsabilidades e compensações por danos ambientais.
  • Envia uma mensagem política contundente em um contexto de crescente pressão dos países mais vulneráveis.

Embora não vinculante, a resolução da Assembleia Geral da ONU representa um avanço significativo em direção à justiça climática global.

Para os Estados insulares e comunidades mais afetadas, é um sinal de esperança e um passo em direção à construção de mecanismos internacionais que obriguem os grandes emissores a assumir sua responsabilidade.

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