A província de Buenos Aires pede para votar contra as reformas à Lei de Geleiras e reabre o debate ambiental

A ministra do Meio Ambiente de Buenos Aires, Daniela Vilar, expressou sua rejeição ao projeto que busca modificar a Lei de Geleiras. A iniciativa, com meia sanção do Senado, avança na Câmara dos Deputados.

Nesse contexto, o debate ambiental ganha centralidade por seu impacto no acesso à água. Além disso, o tratamento legislativo inclui audiências públicas com alta participação cidadã.

Mais de 27.000 pessoas se inscreveram para opinar sobre a reforma. Assim, o tema se consolida como um dos eixos ambientais mais relevantes do país.

A ministra do Meio Ambiente da província de Buenos Aires, Daniela Vilar, participou do debate ambiental pela Lei de Geleiras. Foto: Ministério do Meio Ambiente da Província de Buenos Aires.
A ministra do Meio Ambiente da província de Buenos Aires, Daniela Vilar, participou do debate ambiental pela reforma à Lei de Geleiras. Foto: Ministério do Meio Ambiente da Província de Buenos Aires.

Um sistema chave para o equilíbrio hídrico

A lei vigente, sancionada em 2010, protege geleiras e ambientes periglaciais. Esses ecossistemas funcionam como reservas estratégicas de água doce.

Além disso, regulam o caudal dos rios em períodos de seca. Segundo especialistas, cerca de 70% do país depende desses sistemas.

Por isso, sua preservação é essencial para múltiplas atividades produtivas. Mesmo na província de Buenos Aires, sem geleiras, o impacto é indireto.

O caso do Rio Colorado ilustra essa conexão interjurisdicional. Este curso de água atravessa Mendoza, Neuquén, La Pampa, Río Negro e Buenos Aires. Em território bonaerense, sustenta sistemas de irrigação em Villarino e Patagones.

Riscos ambientais em discussão

Do enfoque ecológico, a reforma gera preocupação por possíveis impactos irreversíveis. Entre eles, menciona-se a perda de reservas de água doce.

Também se adverte sobre a contaminação de bacias por atividades extrativas. Além disso, poderia aumentar a variabilidade hídrica e a frequência de secas.

Sem geleiras ativas, a água poderia concentrar-se em épocas específicas. Isso implicaria excessos na primavera e escassez no verão.

Além disso, alerta-se sobre desigualdades entre províncias por competição ambiental. Esse fenômeno poderia resultar em uma flexibilização progressiva de normas.

Debate pela Lei de Geleiras: mais de 18 mil pessoas se inscreveram para participar das audiências públicas. Foto: Agência de Notícias Terra Viva.
Debate pela reforma à Lei de Geleiras: mais de 18 mil pessoas se inscreveram para participar das audiências públicas. Foto: Agência de Notícias Terra Viva.

Mudanças propostas à Lei de Geleiras

O projeto impulsionado pelo governo nacional propõe modificar os limites de proteção. Dessa forma, atividades produtivas seriam permitidas em áreas atualmente restritas.

Entre elas, incluem-se empreendimentos mineradores e hidrocarboníferos sob certas condições. Além disso, a reforma busca redefinir áreas periglaciais.

Isso poderia reduzir a superfície protegida pela normativa vigente. Por outro lado, argumenta-se que as mudanças melhorariam a previsibilidade para investimentos.

No entanto, setores ambientais alertam sobre possíveis conflitos legais. Em paralelo, questiona-se a compatibilidade com normas como o Acordo de Escazú. Também se apontam tensões com o artigo 41 da Constituição Nacional.

Participação cidadã e desafios futuros

O processo legislativo inclui audiências públicas com forte interesse social. No entanto, questiona-se a limitada quantidade de expositores prevista.

Isso poderia restringir o direito à participação ambiental. Por sua vez, a discussão se vincula com políticas econômicas como o impulso a investimentos extrativos.

Nesse contexto, destaca-se o papel de recursos como o lítio e o cobre. No entanto, o desafio reside em equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade, por isso os especialistas propõem fortalecer a implementação da lei atual.

Entre as medidas, incluem-se melhorar o monitoramento e atualizar o inventário de geleiras. Assim, o debate levanta uma pergunta central: como garantir o desenvolvimento sem comprometer a água, um recurso vital para as gerações presentes e futuras.

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