O nível do mar na Argentina experimenta uma subida acelerada nas últimas décadas e alerta a comunidade científica.
É que, segundo um novo estudo baseado em mais de um século de registros, a subida do nível do mar nas costas argentinas duplicou sua velocidade desde 1965.
A pesquisa revelou que o ritmo de aumento passou de 1,22 milímetros por ano no período 1905-1964 para 2,38 milímetros anuais entre 1965 e 2023 em Buenos Aires.
O trabalho foi realizado por pesquisadores do Serviço de Hidrografia Naval e das universidades de Buenos Aires (UBA) e La Plata (UNLP).
Depois, os resultados foram publicados na revista científica Continental Shelf Research.
“Os registros históricos mostram que em Buenos Aires e Puerto Quequén a velocidade desse aumento do nível do mar quase duplicou, ao comparar o período 1965-2023 com 1905-1964″, explicou Fernando Oreiro, primeiro autor do estudo.

Mais de cem anos de dados para medir o nível do mar histórico
A equipe científica analisou dados horários coletados por mareógrafos, instrumentos que medem a altura do mar em relação a um ponto fixo em terra, para sua pesquisa.
A pesquisa abrangeu 12 pontos chave da costa argentina e processou informações de mais de um século.
Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores calcularam médias mensais e anuais para observar tendências e eliminar efeitos sazonais.
Depois, aplicaram controles de qualidade e validações cruzadas entre instrumentos e locais para garantir a precisão dos resultados.
É importante notar que o nível do mar não sobe de maneira uniforme em toda a costa, algo que os especialistas consideraram.
Na Argentina, os valores vão de 0,79 milímetros por ano a 3,84 milímetros por ano, dependendo da região analisada.
Diferenças regionais marcadas
Em Buenos Aires, a tendência desde 1905 alcançou 1,70 milímetros por ano. Em Mar del Plata, desde 1961, a cifra chegou a 2,25 milímetros anuais.
As regiões do sul, como Ushuaia e Puerto Argentino, mostraram valores menores. No entanto, os dados recentes também marcaram um aumento mais claro do que no passado.
“As regiões analisadas estão influenciadas por dinâmicas locais diferenciadas”, apontaram os cientistas.
É que fatores como a desembocadura de rios, as tempestades e as correntes marinhas influenciam o comportamento do mar em cada setor.

O que isso implica para as praias e os portos argentinos
O nível médio do mar é um dos indicadores mais claros da mudança climática global.
Quando este sobe, revela que os oceanos se expandem e que o gelo em diferentes partes do mundo derrete.
Por isso, medi-lo é crucial porque permite antecipar riscos para cidades, atividades portuárias e praias.
“As descobertas confirmam uma tendência sustentada de alta no nível do mar ao longo da costa argentina e fornecem informações críticas para a gestão de riscos costeiros“, afirmaram nesse sentido os pesquisadores.
Após o estudo, a equipe recomendou manter e ampliar a rede de mareógrafos, acrescentar medições do terreno e fomentar a colaboração institucional.
“As séries de dados são necessárias para conhecer o comportamento do nível médio do mar em menor escala, devido à influência de fatores locais”, apontou Oreiro.
Assim, a pesquisa oferece uma base científica sólida para que autoridades e comunidades tomem decisões informadas frente ao avanço do mar.



