As autoridades de Cusco iniciaram uma investigação para determinar a legalidade de supostos sobrevoos turísticos realizados sobre áreas arqueológicas e naturais protegidas. A medida surgiu após a divulgação de vídeos nas redes sociais que mostram helicópteros operando perto de locais emblemáticos, entre eles a Montanha de Cores.
A pesquisa é liderada pela Gerência Regional de Comércio Exterior, Turismo e Artesanato (Gercetur), que busca estabelecer se as empresas envolvidas possuíam as autorizações correspondentes para desenvolver este tipo de atividades em zonas sensíveis.
Além disso, a investigação pretende analisar os possíveis efeitos ambientais gerados por essas operações aéreas. A preocupação cresce devido ao fato de que vários dos locais envolvidos possuem uma importante riqueza biológica e recebem milhares de visitantes a cada ano.

Verificação de permissões e possíveis descumprimentos
Como parte do processo, as autoridades solicitaram informações à Direção Geral de Aeronáutica Civil para verificar se existiram permissões oficiais para realizar voos turísticos na região.
No entanto, a avaliação não se limita apenas à autorização aeronáutica. Em espaços protegidos, especialmente aqueles vinculados ao patrimônio arqueológico e à conservação ambiental, também intervêm organismos responsáveis pela gestão territorial e cultural.
Por essa razão, os investigadores analisam se os operadores cumpriram com todos os requisitos estabelecidos para sobrevoar áreas de especial proteção. Além disso, estuda-se a possível participação de empresas turísticas que teriam promovido esses serviços sem a documentação necessária.
Enquanto avança a coleta de provas, as autoridades buscam determinar se existiram infrações administrativas ou eventuais responsabilidades de maior alcance.
Sítios protegidos sob medidas estritas de conservação
O caso voltou a colocar em debate a necessidade de reforçar os mecanismos de proteção em alguns dos destinos mais visitados de Cusco.
Espaços como a Montanha de Cores, o Complexo Arqueológico de Moray e outros atrativos naturais e culturais fazem parte de áreas sujeitas a regulamentações especiais destinadas a preservar seus valores ecológicos, históricos e paisagísticos.
Em consequência, qualquer atividade que possa alterar as condições ambientais deve passar por processos de avaliação prévios. Essas restrições buscam evitar impactos que possam comprometer a integridade de ecossistemas frágeis ou afetar a conservação do patrimônio cultural.
Por isso, as autoridades ressaltam que os sobrevoos turísticos requerem análises específicas antes de serem autorizados, especialmente quando envolvem recursos naturais ou arqueológicos de relevância nacional.

Como os sobrevoos afetam o meio ambiente
Uma das principais críticas a esse tipo de atividade está relacionada com a poluição sonora gerada pelas aeronaves. O ruído constante pode alterar o comportamento de aves, mamíferos e outras espécies que habitam esses ecossistemas de montanha.
Além disso, as perturbações acústicas podem provocar deslocamentos temporários ou permanentes de animais sensíveis à presença humana, modificando padrões de alimentação, reprodução e abrigo.
Por outro lado, a atividade aérea frequente pode afetar a experiência dos visitantes que buscam desfrutar de ambientes naturais caracterizados pela tranquilidade e pelo contato com a natureza.
Além disso, a presença reiterada de helicópteros aumenta a pegada de carbono associada ao turismo, devido ao consumo de combustíveis fósseis e às emissões de gases de efeito estufa que contribuem para a mudança climática.
Conservação e turismo sustentável como desafio regional
O avanço da investigação reflete a crescente importância que adquire a proteção ambiental em destinos turísticos de alto valor ecológico.
Enquanto Cusco continua se consolidando como um dos principais polos turísticos da América do Sul, também enfrenta o desafio de compatibilizar o desenvolvimento econômico com a conservação de seus paisagens naturais e culturais.
Nesse contexto, as autoridades regionais consideram fundamental fortalecer os controles, garantir o cumprimento da normativa vigente e promover modalidades de turismo mais sustentáveis que minimizem os impactos sobre a biodiversidade.
A definição do caso poderia se tornar um precedente importante para a gestão futura de atividades turísticas em áreas protegidas, onde a preservação dos ecossistemas e do patrimônio histórico constitui uma prioridade para as gerações presentes e futuras.



