Bariloche: organizações locais promovem um dia comunitário para erradicar pinheiros exóticos e recuperar a floresta nativa

Na última segunda-feira, a partir das 10 da manhã, foi realizada uma nova jornada de extração de pinheiros exóticos na área da Usina do Exército, localizada no km 10 da Av. Bustillo, em Bariloche.

A atividade foi organizada pela Rede Pinos, pela Escola Militar de Montanha e pelo Clube Andino Bariloche e contou com uma excelente participação da comunidade.

Trabalho coletivo e conscientização ambiental

Moradores, escoteiros e voluntários se juntam à restauração da paisagem andino-patagônica.

A jornada começou com uma palestra técnica sobre o impacto dos pinheiros invasores na biodiversidade local e o risco crescente de incêndios florestais, agravado pelas condições de seca e mudança climática.

Posteriormente, com pás, luvas e entusiasmo, os participantes se dedicaram a remover rebentos de espécies exóticas. A organização destacou a participação de grupos escoteiros, que contribuíram com energia e comprometimento.

“Foi muito bom ver meninos e meninas conhecendo o problema e trabalhando com vontade”, afirmaram da Rede Pinos.

pinheiros exóticos Realizan en Bariloche una jornada para erradicar pinos exóticos

Pinheiros exóticos: uma ameaça silenciosa

Em Bariloche, espécies como o pinheiro ponderosa, radiata e insigne, introduzidas para a indústria florestal e a ornamentação, estão deslocando a flora nativa, modificando a paisagem e dificultando a regeneração da floresta original após os incêndios. Além disso, geram problemas urbanos como danos em calçadas, redes subterrâneas e acumulação de gelo.

Essas espécies são pirófitas, ou seja, se beneficiam do fogo: sua resina é altamente inflamável e liberam sementes após os incêndios, o que favorece sua expansão. Segundo o pesquisador Juan Paritsis (IIB-INIBIOMA, CONICET), em muitas áreas queimadas, a floresta nativa não consegue se regenerar e é substituída por essas espécies invasoras.

Rede Pinos: restauração ecológica com abordagem participativa

Uma iniciativa colaborativa que articula ciência, território e comunidade.

A Rede Pinos trabalha em conjunto com instituições como INTA, CONICET, Parques Nacionais e a Prefeitura de Bariloche para mapear focos de invasão, planejar intervenções e promover a reflorestação com espécies autóctones como o ñire, notro, lenga, coihue e roble pellín.

Também é incentivada a denúncia cidadã de exemplares invasores e a participação em jornadas de erradicação.

Incêndios florestais e mudança climática: uma combinação perigosa

A expansão de pinheiros exóticos agrava a crise ambiental na Patagônia.

Pesquisadoras do CONICET alertam que a propagação de espécies exóticas está aumentando a frequência e intensidade dos incêndios florestais.

Os verões mais secos e quentes dificultam o controle do fogo, e os pinheiros, ao dominarem a paisagem, alteram o funcionamento dos ecossistemas.

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