Cartagena anunciou um investimento histórico superior a 150 milhões de dólares para modernizar e recuperar seus corpos hídricos. O anúncio foi feito durante o Rivercity Global Forum, um encontro internacional que reuniu especialistas em desenvolvimento urbano e sustentabilidade em torno dos rios como eixos de transformação.
A cidade caribenha, que por décadas virou as costas para seus canais, lagoas e baías, agora aposta em uma mudança de paradigma. O objetivo é reverter mais de 15 anos de abandono ambiental e transformar a água em um motor de desenvolvimento sustentável, turismo e mobilidade.
Entre os principais projetos estão o Grande Malecón del Mar, a renovação urbana em Bocagrande e Castillogrande, o Distrito Criativo de Manga, a Autopista Verde e a recuperação integral de La Bocana em La Boquilla. Cada obra busca fortalecer a relação da cidade com seus recursos hídricos e devolver-lhes sua função ecológica e social.
A administração distrital também considera a baía como um corredor de mobilidade. Com mais de 50 portos naturais, está previsto um sistema de transporte aquático que conecte setores estratégicos e descongestione o trânsito terrestre, integrando assim sustentabilidade e eficiência.
Colômbia trabalha na recuperação de seus corpos hídricos. Foto: El Tiempo.
O desafio do Canal del Dique
O futuro hídrico de Cartagena também depende da recuperação do Canal del Dique, um braço do rio Magdalena que se conecta à baía e abastece mais de um milhão de pessoas com água potável. Atualmente, seu deterioro devido à sedimentação ameaça a navegabilidade e a saúde de ecossistemas sensíveis como as Ilhas do Rosário.
A restauração do canal é considerada um dos projetos ambientais mais urgentes do país. Sua execução permitirá mitigar inundações, fortalecer a agricultura e a pesca, e preservar a biodiversidade da região do Caribe.
No entanto, enquanto as obras avançam no planejamento, outros ecossistemas próximos, como a Ciénaga de la Virgen e as praias de La Boquilla, continuam em risco devido a invasões, turismo descontrolado e os efeitos das mudanças climáticas. O desafio, então, será estender o modelo de recuperação a todos os corpos d’água que sustentam a vida e a economia da cidade.
Cartagena emerge agora como exemplo de como a água pode deixar de ser um símbolo de abandono para se tornar a base de um desenvolvimento mais justo, resiliente e sustentável.
Colômbia trabalha na recuperação de seus corpos hídricos. Foto: El Tiempo.
A importância dos rios em grandes cidades
Os rios e corpos d’água que atravessam grandes cidades desempenham um papel fundamental em seu equilíbrio ambiental. Eles não são apenas fontes de abastecimento hídrico, mas também corredores ecológicos que mantêm a biodiversidade e regulam o clima local.
No caso colombiano, cidades como Medellín, Cali e Bogotá cresceram em torno de seus rios, embora muitas vezes os tenham contaminado ou relegado a um segundo plano. Hoje reconhece-se que recuperá-los não é um luxo, mas uma necessidade para garantir a saúde pública, a segurança hídrica e a resiliência frente às mudanças climáticas.
Os ríos urbanos também representam oportunidades de integração social. Quando são restaurados e transformados em espaços de encontro, contribuem para a qualidade de vida, promovem o ecoturismo e geram identidade cultural. Cartagena, com seus canais e baía, busca agora replicar esse modelo para recuperar a relação perdida entre a cidade e a água.
Além disso, esses sistemas hídricos são fundamentais para a mobilidade sustentável. Um transporte aquático eficiente pode reduzir a pegada de carbono e oferecer alternativas à congestão urbana. A experiência de outras cidades do mundo mostra que aproveitar os rios como autopistas naturais é uma estratégia viável e amigável ao ambiente.



