Uma série de ataques com drones ucranianos contra uma refinaria e um terminal marítimo na cidade russa de Tuapse desencadeou uma crise ambiental de grande magnitude. O resultado: fumaça visível do espaço, rios de petróleo nas estradas e manchas de óleo no mar Negro. As autoridades classificaram a situação como uma “catástrofe ecológica”.
O estado de emergência foi declarado apenas após o terceiro ataque, em 28 de abril. O incêndio atingiu até mesmo um bloco residencial, obrigando a evacuar cerca de 60 pessoas. Em paralelo, foram relatados fechamentos de escolas e creches, falta de água em alguns bairros e um persistente cheiro de queimado.
Impacto ambiental
- Costa afetada: cerca de 50 quilômetros do litoral do mar Negro contaminados.
- Resíduos retirados: cerca de 10.000 m³ de mistura de água, óleo e terra.
- Contaminantes detectados: níveis elevados de benzeno e xileno, com recomendações de permanecer em casa e usar máscara.
Os ataques anteriores, de 16 e 20 de abril, já haviam provocado chuvas de óleo sobre a cidade e grandes manchas de petróleo em frente à costa.
O presidente russo Vladimir Putin quebrou seu silêncio após duas semanas, alertando sobre as consequências ambientais dos ataques, embora tenha assegurado que “não existem riscos graves para a população”.
Estratégia ucraniana
Especialistas apontam que a Ucrânia mira infraestruturas petrolíferas por três razões:
- Reduzir receitas energéticas da Rússia, principal fonte de divisas para financiar a guerra.
- Dificultar a logística militar russa, afetando o fornecimento de combustível na linha de frente.
- Priorizar alvos econômicos e militares, evitando ao máximo vítimas civis.
Segundo estimativas, até 40% da capacidade de exportação de petróleo russo estaria fora de serviço devido aos ataques e às sanções internacionais.

Expansão dos ataques
Os drones ucranianos atingiram instalações a mais de 2.000 km da linha de frente:
- Refinaria Orsknefteorgsintez em Oremburgo.
- Estação de bombeamento de Transneft em Perm.
- Incidentes em Ecaterimburgo e Chelyabinsk, com danos em edifícios residenciais.
O Ministério da Defesa russo informou a interceptação de 98 drones em uma única noite.
Contexto do conflito
A guerra, iniciada em grande escala em 24 de fevereiro de 2022, tem suas raízes na crise de 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia. Hoje é considerado o maior conflito bélico na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com mais de 7 milhões de refugiados ucranianos e um forte impacto nos preços globais de alimentos e combustíveis.
Os ataques com drones abriram uma nova frente: a ambiental. A contaminação em Tuapse e no mar Negro evidencia que a guerra não só destrói infraestruturas e economias, mas também ecossistemas frágeis. A pressão sobre a Rússia aumenta, enquanto a Ucrânia busca enfraquecer as fontes de receitas energéticas de Moscou em um contexto de crise global.



