Cipolletti e um lixão a céu aberto: entre o colapso ambiental e a espera por uma solução estrutural

O aterro a céu aberto de Cipolletti (Rio Negro), localizado no extremo nordeste da cidade, continua a funcionar como epicentro da gestão informal de resíduos, apesar de anos de promessas de modernização.

Próximo a áreas habitadas e com infraestrutura precária, o local representa uma ferida ambiental persistente no Alto Vale rio-negrino.

Diariamente, o local recebe:

  • 120 toneladas de resíduos sólidos urbanos
  • 150 toneladas de entulho
  • Uma média mensal de 3.600 toneladas e anual de 43.200

A entrada é organizada através de 25 viagens de caminhões coletores em diferentes turnos e entre 6 e 10 contêineres diários, todos com destino final em um espaço com falta de sinalização, cercas e balança de medição.

Impacto sanitário e trabalho informal

Cada caminhão que chega gera expectativa entre pelo menos 20 pessoas em busca de recicláveis ou alimentos, enfrentando:

  • Condições de exposição extremas
  • Ausência de medidas sanitárias
  • Dependência crescente como sustento econômico

“O que é resgatado é muito pouco”, confessou um dos trabalhadores em diálogo com o portal LM Cipolletti. “A situação vista diariamente é difícil.”

GIRSU: um plano estagnado

O projeto de Gestão Integral de Resíduos Sólidos Urbanos (GIRSU), projetado para articular esforços entre seis municípios do Alto Vale, tem sido apresentado, reformulado e relançado desde 2020 sem resultados concretos.

Em março deste ano, a Secretaria de Ambiente de Rio Negro visitou o local juntamente com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e uma consultoria local para avaliar sua reativação, mas desde então não houve avanços.

Cipolletti dispõe de:

  • 14 hectares para o atual aterro
  • 6 hectares adicionais para o desenvolvimento do GIRSU

O secretário de Serviços, Adrián Artero, indicou ao referido portal melhorias operacionais com a incorporação de maquinário, mas admitiu que o aterro deve deixar de ser a céu aberto para se alinhar com os objetivos do plano.

Um modelo nacional ainda sem transformação

A Lei Nacional 25.916, regulamentada em 2022, regula a gestão de resíduos sólidos urbanos na Argentina. Segundo dados oficiais:

  • São geradas mais de 19 milhões de toneladas de RSU por ano
  • 99,8% de cobertura de coleta
  • Permanecem 5.000 aterros a céu aberto, com alto impacto ambiental e sanitário

Nesse esquema, os recuperadores urbanos (RU) desempenham um papel fundamental em:

  • A redução do volume de resíduos
  • A economia circular
  • A mitigação do dano ecológico

Cipolletti: contenção sem resolução

O município continua alocando recursos para a coleta, mas não consegue avançar em:

  • Separação na origem
  • Políticas de reciclagem
  • Educação ambiental comunitária

“Atualmente, o foco está em conter o problema, não em resolvê-lo”, indica o relatório.

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