Neste fim de semana, perícias oficiais confirmaram que os incêndios em Chubut que devastaram mais de 5500 hectares foram iniciados de forma intencional.
Assim revelou o procurador-geral da província, Carlos Díaz Mayer, que informou que encontraram combustível no foco inicial e qualificou o fato como um ato criminoso.
Atualmente, os incêndios florestais que começaram no passado 5 de janeiro na zona de Puerto Patriada continuam ativos e geram um impacto ambiental devastador na Patagônia.
No entanto, segundo um relatório divulgado pelo Governo Nacional, 22 dos 32 focos já estariam “completamente extintos”.
Agora, a investigação judicial se mantém vigente após Díaz Mayer confirmar o início de forma intencional dos incêndios em Chubut.

Uma investigação complexa, sem suspeitos
“Foi uma pessoa que iniciou o fogo em um ponto entre a localidade de El Hoyo e Puerto Patriada, onde nosso perito encontrou que usaram combustível para acendê-lo”, afirmou o funcionário em diálogo com TN.
O funcionário também descreveu a situação como extrema e destacou o dano ambiental que as chamas estão causando.
“É impressionante o que está acontecendo com o incêndio, está devastando tudo. É um ato criminoso. Tudo o que não queimou no ano passado está queimando agora”, expressou.
Enquanto isso, a investigação judicial enfrenta importantes desafios para identificar os responsáveis pelos incêndios em Chubut.
A esse respeito, o titular do Ministério Público Fiscal apontou que ainda não há pessoas identificadas e explicou as dificuldades para avançar no caso.
“Tenho que começar a descartar de grupos de pessoas que estavam no local, tanto os que vivem na zona quanto os que não. Em Puerto Patriada havia 800 veículos aproximadamente”, detalhou o procurador sobre as complicações da investigação.
No processo judicial, uma fotografia chave reforça a hipótese de que os incêndios em Chubut foram iniciados de forma intencional: esta mostra o tronco da árvore onde o fogo teria se originado.
Segundo informou ADNSUR, o local foi escolhido de maneira estratégica: o foco estava a uns 300 metros dentro da floresta, longe de caminhos e turistas.

Este dado permite descartar por completo qualquer hipótese acidental, como:
- Fogueiras mal apagadas
- Bitucas de cigarros
- Descuidos humanos em zonas de acesso público
- Causas naturais ou fortuitas
É importante destacar que o setor não conta com câmeras de segurança nem sistemas de monitoramento, o que torna ainda mais complexa a investigação.
Além disso, o avanço do fogo destruiu possíveis pegadas, o que dificulta a identificação dos autores do fato criminoso.
Incêndios iniciados de forma intencional em Chubut: reclamam por penas mais severas
Díaz Mayer também manifestou seu descontentamento diante da repetição desses atos criminosos e reclamou uma revisão das sanções penais vigentes pelo início de incêndios de forma intencional.
“Deveríamos agravar mais as penas para que ninguém mais o faça novamente, como uma política criminal a nível geral”, concluiu o procurador.
O funcionário acrescentou que é necessário “sancionar para que a sociedade veja que cometer esse tipo de conduta levaria a cumprir uma pena de prisão alta“.
O governador Ignacio Torres também confirmou que a Justiça conta com elementos suficientes para ratificar que os incêndios foram provocados de forma intencional.
Por isso, a Província de Chubut anunciou que se apresentará como querelante para garantir que os responsáveis enfrentem as penas máximas.
“Vamos ir até as últimas consequências para que os responsáveis respondam perante a lei“, concluiu o governador.



