A invasão de plantas aquáticas em áreas úmidas urbanas é um problema global que afeta a funcionalidade ecológica de lagoas, rios e estuários.
Em Resistencia, Chaco, uma equipe interdisciplinar liderada pelo Laboratório HeCoB (CONICET-UNNE) está avançando na primeira iniciativa de controle biológico em áreas úmidas quentes da América do Sul, utilizando insetos nativos como biocontroladores da alface-d’água (Pistia stratiotes).
Um problema compartilhado em todo o continente
Desde os Estados Unidos até El Salvador, a vegetação invasora desafia os métodos tradicionais de manejo.
– Em Louisiana, os programas de controle mal conseguem conter o avanço de plantas aquáticas invasoras
– Em El Salvador, o Lago Suchitlán está quase completamente coberto por plantas invasoras
– Em Resistencia, as lagoas urbanas apresentam coberturas de até 45% de alface-d’água, como nas lagoas Argüello e Francia
Essas espécies prosperam em águas eutróficas, onde o excesso de nutrientes – produto de efluentes e contaminação – transforma plantas nativas em invasoras.
Insetos nativos como aliados ecológicos
Ensaios experimentais confirmam o potencial de duas espécies herbívoras para reduzir a biomassa invasora.
A equipe do HeCoB identificou duas espécies de insetos que, em testes realizados em tanques do CECOAL, demonstraram se alimentar eficazmente da alface-d’água, reduzindo seu tamanho e cobertura.
Atualmente, está em andamento a criação em massa, passo prévio a uma liberação experimental prevista para meados de 2026.
“Seria a primeira experiência de controle biológico em áreas úmidas subtropicais do país”, destaca a Dra. Celeste Franceschini, diretora do projeto.

Articulação institucional e cooperação internacional
O projeto vincula ciência, gestão pública e redes globais de controle biológico.
Participam organismos como:
– FUEDEI (Argentina)
– Centre for Biological Control (África do Sul)
– Universidade Estadual da Louisiana (EUA)
Do Município de Resistencia, o Ing. Sergio Vich destaca que a proliferação de plantas aquáticas afeta funções críticas como a amortização de inundações, a conservação da biodiversidade e a provisão de espaços recreativos.
Por isso, está sendo impulsionada a criação de uma biofábrica municipal para aumentar a produção de insetos controladores.
Os Carpinchos: experiência local e compromisso comunitário
Uma equipe municipal com 30 anos de experiência acompanha a transição para um manejo mais sustentável.
O grupo de trabalho “Carpinchos”, criado em 1995, enfrentou a invasão vegetal com ferramentas artesanais e esforço físico. Seu líder, Rito Prado, celebra o projeto:
“Estamos orgulhosos de nosso trabalho, mas apoiamos o controle biológico como uma alternativa duradoura”.
Extrair manualmente a alface-d’água pode levar mais de um mês, mas em poucos dias os “brotes” reaparecem, evidenciando a necessidade de soluções integrais.
Restaurar as áreas úmidas: um investimento na resiliência urbana
As lagoas de Resistencia oferecem serviços ecossistêmicos chave, mas requerem proteção ativa.
Da HeCoB, a Lic. Sabrina Bertucci e a Dra. Lara Sabater explicam que a eutrofização altera a qualidade da água e favorece a proliferação vegetal. O controle biológico, por outro lado, se apresenta como uma alternativa natural, econômica e ambientalmente sustentável.
“A Argentina está sendo pioneira nessa abordagem, e queremos adicionar este projeto como um caso modelo em áreas úmidas subtropicais”, conclui Franceschini.



