Os incêndios florestais tornaram-se mais frequentes, destrutivos e caros nas últimas quatro décadas, segundo um estudo publicado na revista Science.
A análise, que abrange dados globais de 1980 a 2023, adverte que a mudança climática, a má gestão do solo e a urbanização em áreas inflamáveis estão criando condições cada vez mais propensas ao fogo.
Florestas mediterrâneas e áreas urbanas: focos críticos de risco
Espanha e Portugal registraram os piores danos na Europa, enquanto a América do Norte lidera em custos absolutos.
O estudo identificou que quase metade dos incêndios mais danosos ocorreram na última década. As florestas mediterrâneas sofreram 6,7 vezes mais desastres do que o esperado com base em sua população, e os incêndios começaram a afetar as margens de áreas urbanas prósperas, o que agrava os riscos humanos e econômicos.
Consequências ambientais: perda de biodiversidade e retrocesso climático
Os incêndios florestais transformam sumidouros de carbono em fontes de CO₂, alterando ecossistemas e poluindo o ar.
- Perda de biodiversidade: Destruição de habitats e desaparecimento de espécies nativas
- Degradação do solo: Infertilidade, erosão e risco de inundações
- Poluição do ar: Emissão de partículas e gases tóxicos
- Mudança climática: Transformação de florestas em emissores de gases de efeito estufa
- Alteração de ecossistemas: Interrupção de ciclos naturais e modificação de espécies vegetais
Impactos sociais e econômicos: saúde, infraestrutura e meios de subsistência
A fumaça afeta a saúde respiratória e os incêndios destroem habitações, cultivos e serviços básicos.
- Perda de propriedades e infraestrutura
- Destruição de cultivos e terras agrícolas
- Problemas respiratórios e doenças agravadas pela fumaça
- Perdas econômicas por interrupção de serviços e destruição de recursos

Causas principais: entre a mudança climática e a ação humana
A maioria dos incêndios é provocada por negligência, acidentes ou práticas intencionais.
- Bitucas mal apagadas, fogueiras descuidadas e queimadas não controladas
- Secas, ondas de calor e ventos intensos exacerbados pela mudança climática
Soluções: prevenção, infraestrutura e participação comunitária
A chave está em antecipar-se, investir em resposta rápida e fortalecer a consciência cidadã.
- Prevenção ativa: Limpeza de terrenos, manejo de resíduos e educação ambiental
- Infraestrutura de resposta: Mais brigadistas, equipamentos e planejamento em áreas de interface urbano-florestal
- Participação cidadã: Redes comunitárias para a detecção precoce e evacuação segura
Adaptação e resiliência: um chamado a políticas integrais
Os pesquisadores propõem queimadas prescritas, abrigos seguros e estratégias de evacuação para proteger as populações vulneráveis.
“A mitigação deve incluir estruturas de abrigo e sistemas de evacuação eficazes”, concluem os autores. Sem essas medidas, os incêndios continuarão a ceifar vidas e destruir territórios.



