Lei de Glaciares completa 15 anos de protecao ambiental ameacada por pressoes da atividade mineradora.

Especialistas e deputados alertam sobre tentativas de modificar a norma de proteção ambiental das reservas hídricas estratégicas da Argentina, ao mesmo tempo em que denunciam descumprimentos sistemáticos e pressão de corporações extrativistas.

Aos 15 anos de sua sanção definitiva, a Lei de Glaciares (26.639) enfrenta novos desafios em um contexto de crise climática acelerada e fortes pressões do setor mineiro para flexibilizar suas proteções ambientais.

Em um colóquio com participantes históricos desta luta, foi revelado que existe um rascunho avançado idêntico ao vazado em 2017 que busca eliminar a proteção do ambiente periglacial, crucial para o abastecimento hídrico de comunidades cordilheiranas.

A norma, sancionada em 2010 após um veto presidencial em 2008, é considerada única no mundo por sua dedicação exclusiva à proteção glaciar. “É uma lei da qual devemos nos orgulhar. Porque é única no mundo. Foi a primeira lei de proteção de glaciares“, destacou Adostina Rosicera, especialista em biodiversidade da Greenpeace.

Uma lei nascida da luta cidadã pela proteção ambiental

A sanção da lei representou um marco democrático que atravessou todos os blocos políticos. Enrique Viale, presidente da Associação de Advogados Ambientalistas, lembrou: “É uma das leis mais democráticas que eu me lembro. São aquelas leis que são horas e horas de debate no Congresso“. A norma foi alcançada graças a “organizações ambientalistas, assembleias e comunidades, ao povo”, segundo Rosicera.

O processo legislativo foi intenso, com uma vitória apertada no Senado durante uma madrugada histórica. Viale recordou: “Foi sancionado numa madrugada, no Senado. Você não sabia como ia terminar. Acabou ganhando por dois votos”. A pressão mineradora, liderada pela Barrick Gold, foi constante desde o início, conseguindo inclusive um veto presidencial em 2008.

Descumprimento sistemático e manipulação do inventário

Um dos pontos mais críticos revelados é a sistemática omissão de glaciares menores que um hectare no Inventário Nacional de Glaciares, apesar de a lei proteger explicitamente todos os corpos de gelo “seja qual for sua forma e/ou dimensão”. Saúl Sebayos, integrante da Assembleia Jáchal No Se Toca, denunciou: “Estão registrados 1.400 glaciares que foram eliminados do inventário“.

Essa manipulação teve consequências diretas. Segundo Sebayos, “o juiz Casanello, ao levar a causa a julgamento, justamente pelo descumprimento da lei de glaciares, afirmou que nessa província, referindo-se a San Juan, tudo foi feito de forma errada”.

A investigação judicial demonstrou que desde o final de 2013 poderiam ter sido publicadas informações cruciais que foram adiadas até dezembro de 2015.

Lei de Glaciares, colóquio na Greenpeace Lei de Glaciares, colóquio na Greenpeace[/caption>

Projetos mineiros em conflito com a proteção ambiental

Os participantes identificaram pelo menos 44 projetos mineiros que violariam a lei se fossem aplicados corretamente. Entre eles, destacam-se Los Azules e Vicuña (que combina José María e Filo del Sol), este último anunciado recentemente pelo ministro da Economia, Luis Caputo, como beneficiário do RIGI.

Pía Marquejiani, diretora executiva adjunta da FARN, alertou sobre o contexto regulatório: “O RIGI tem elementos que são justamente os mais problemáticos: um é o blindagem normativa e jurídica”. Acrescentou que se soma “a diminuição de qualquer capacidade do Estado” e “a criminalização da protesta”.

Glaciares em retrocesso. (Foto: Greenpeace). Glaciares em retrocesso. (Foto: Greenpeace).[/caption>

Impacto concreto em comunidades cordilheiranas

Para as comun

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