Em meio a fortes protestos cidadãos e advertências de organizações ambientais, o Senado de Mendoza aprovou nesta terça-feira o projeto de mineração San Jorge (PSJ) de forma definitiva.
O Senado provincial deu luz verde ao projeto com 29 votos a favor, 6 contra e 1 abstenção.
Enquanto isso, manifestantes se concentraram na Plaza Independencia e seus arredores para expressar-se contra o projeto de mineração na província.
Assim, San Jorge conseguiu sua aprovação final apesar de que, segundo Greenpeace, carece de licença social e compromete a segurança hídrica de Mendoza, uma província já vulnerável.
A organização ambiental advertiu que a iniciativa ameaça o acesso à água de comunidades locais e ecossistemas sensíveis.

Protestos massivos contra o projeto San Jorge de mineração em Mendoza
As mobilizações reuniram delegações de Uspallata, San Carlos e Lavalle, principalmente vinculadas às assembleias pela água.
Assim, o clima de ontem na Legislatura mendocina esteve marcado pela tensão social, com uma operação que incluiu barreiras e controles preventivos para conter as manifestações.
A presença cidadã contrasta com o processo de avaliação que o governo provincial apresenta como participativo.
Embora tenha sido realizada uma audiência pública de 10 dias com mais de 9.500 contribuições, as organizações ambientais questionam que o rejeito majoritário não se refletiu na decisão final.
Vale destacar que, para o governo de Mendoza, a aprovação do projeto de mineração San Jorge é essencial.
Isso se deve ao fato de ser a primeira proposta da província com possibilidade de acessar o Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI).
Por isso, e apesar do rejeito social, o governo provincial a cargo de Alfredo Cornejo celebra San Jorge.
Alerta pelo impacto de San Jorge na água
O projeto utilizará água do arroyo El Tigre, com um consumo previsto de 141 litros por segundo de um fluxo médio de 318.
Um relatório da Universidade Nacional de San Luis estima que a redução da recarga para a ciénaga de Yalguaraz será de 8%.
Nesse sentido, Greenpeace alertou que o projeto de mineração San Jorge será instalado em uma zona de Mendoza com nascentes de água que abastecem comunidades locais.
“O projeto compromete a segurança hídrica da região”, apontou a organização, que questiona que seja possível manter o fluxo ecológico necessário em um contexto de crise climática.
A ministra de Energia e Ambiente, Jimena Latorre, defendeu a aprovação assegurando que se trata de um processo “técnico, participativo e transparente” com controles ambientais rigorosos. No entanto, as comunidades locais expressam desconfiança.
Inclusive, como forma de mitigar o esperado impacto ambiental de San Jorge, também foi aprovado um Fundo de Compensação para restaurar danos ecológicos.

Mendoza: como é o projeto de mineração San Jorge
O investimento previsto alcança os u$s 559 milhões para um projeto que operará durante 16 anos, com possibilidade de se estender até 27.
A produção estimada é de 40.000 toneladas de cobre fino por ano, com picos de 70.000 toneladas.
Minera San Jorge S.A., formada pela suíça Zonda Metals GmbH e a argentina Alberdi Energy, impulsionará a exploração a céu aberto.
A cava terá 1.700 metros de comprimento, 950 de largura e até 350 metros de profundidade.
Nesse sentido, o diretor de Mineração de Mendoza, Jerónimo Shantal, esclareceu que a Declaração de Impacto Ambiental de San Jorge “não é um cheque em branco”, mas uma autorização com obrigações rigorosas e monitoramento em tempo real.
No entanto, as garantias não convencem aqueles que se opõem ao projeto.
O impacto ambiental de San Jorge em debate
O projeto de mineração San Jorge em Mendoza gerará um depósito de rejeitos de 158 milhões de toneladas e utilizará flotação como método de concentração, sem cianeto nem ácido sulfúrico.
O sistema inclui recirculação de água e piscinas para águas contactadas.
Segundo a lei aprovada nesta terça-feira, os cinco pilares de controle ambiental contemplam:
- Monitoramento contínuo da água com estações automáticas
- Planos de revegetação e proteção de vegas e áreas úmidas
- Proteção do patrimônio cultural Huarpe e Qhapaq Ñan
- Controle de material particulado e inventário de gases
- Participação cidadã com relatórios públicos trimestrais
Contra as manifestações públicas, o governador Alfredo Cornejo defendeu a decisão como “um passo histórico” que permitirá a Mendoza produzir cobre “com a mesma responsabilidade com que produz seus vinhos”.
Criticou o kirchnerismo por não acompanhar com seu voto apesar de se declarar a favor da mineração.
Apesar das garantias oficiais, organizações ambientais mantêm seu rejeito a um projeto que consideram incompatível com a preservação da água e dos ecossistemas de montanha em uma província que enfrenta crescente estresse hídrico.



