México aposta na restauração ecológica: conservar 30% do território e reduzir dependência fóssil

Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, a secretária de Meio Ambiente e Recursos Naturais, Alicia Bárcena Ibarra, afirmou que o México estabeleceu como prioridade conservar pelo menos 30% de seu território até 2030, em linha com compromissos internacionais de proteção ambiental.

A funcionária definiu este momento como o início de uma “era da restauração”, na qual o país deve passar da conservação passiva para a recuperação ativa de ecossistemas terrestres e marinhos, diante dos níveis críticos de degradação ambiental.

Limites planetários e urgência de ação

O enfoque baseia-se no quadro científico dos limites planetários, que adverte que a atividade humana já ultrapassou limiares chave como o clima, a biodiversidade e o uso do solo, elevando o risco de danos irreversíveis.

A restauração e conservação de ecossistemas são consideradas ações necessárias para reduzir a pressão sobre o planeta e manter sua estabilidade.

Áreas protegidas e objetivos

O México conta atualmente com 99 milhões de hectares de áreas naturais protegidas, que incluem florestas tropicais, manguezais, florestas e ecossistemas marinhos. O objetivo é ampliar e fortalecer esta rede para alcançar a meta de 30% até o final da década.

A política tem um enfoque ambiental e climático, já que a restauração de ecossistemas contribui para a redução de emissões e para a adaptação frente às mudanças climáticas.

Soluções baseadas na natureza

Entre as medidas destacadas estão:

  • Restauração de manguezais e ecossistemas estratégicos, com alta capacidade de captura de carbono.
  • Integração desses projetos a esquemas de compensação de emissões.
  • Uso da natureza como eixo da política climática nacional.

Bárcena reconheceu que o México ainda não pode eliminar completamente o uso de combustíveis fósseis, mas reiterou o compromisso de avançar para um cenário de emissões líquidas zero, combinando redução de emissões com mecanismos de compensação ambiental.

Compatibilidade entre desenvolvimento e proteção

A funcionária sublinhou que a proteção da natureza pode ser compatível com o desenvolvimento econômico, ao integrar critérios ambientais em:

  • Esquemas de investimento.
  • Mercados de carbono.
  • Estratégias de descarbonização.

Este enfoque busca deixar para trás o extrativismo e a degradação ambiental como motores de crescimento, colocando a restauração de ecossistemas como componente central da política pública ambiental.

conservar território
A conservação do território é uma prioridade no México.

Situação atual: dependência de combustíveis fósseis

O México mantém uma alta dependência dos hidrocarbonetos, que representaram entre 75% e 87% da matriz energética e elétrica entre 2022 e 2025.

Geração elétrica

  • Em 2024-2025, 74,9% da eletricidade foi gerada com fontes fósseis.
  • O gás natural domina, seguido por óleo combustível e carvão.

Transporte e indústria

  • 63% do consumo energético no transporte provém de gasolinas.
  • 27% de diesel.
  • Na indústria, predomina o gás natural (32%), seguido de coque de petróleo (11%) e carvão (7%).

Importações

  • O México depende em grande medida de gás natural importado dos EUA, que cobre 60% da demanda.
  • Também importa gasolinas.

Impacto ambiental

  • 64% das emissões poluentes provêm de combustíveis fósseis.
  • Contribuem para doenças respiratórias e para a degradação ambiental.

Tendências e desafios

  • Projeções de aumento: prevê-se um incremento de 3% nas emissões de GEE para 2037.
  • Transição lenta: para 2050, apenas 50% da demanda energética seria coberta por renováveis.
  • Infraestrutura insuficiente: indústrias como os centros de dados dependem de geradores de diesel e gás.
  • Reservas esgotadas: as reservas provadas de petróleo foram reduzidas em 88%.

O México enfrenta o desafio de equilibrar a segurança energética com a redução de emissões, em um contexto de alta dependência fóssil.

A meta de conservar 30% do território até 2030 e avançar para a restauração ecológica representa uma mudança de paradigma: integrar a natureza como aliada na política climática e demonstrar que a proteção ambiental pode ser compatível com o desenvolvimento econômico.

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