México lança mais de um milhão de créditos de natureza e marca um marco na conservação de ecossistemas

Durante el foro Nat5 Live, celebrado na Cidade do México, foi anunciada a emissão de mais de um milhão de créditos de natureza, com um valor estimado de 20 milhões de dólares.

Esta iniciativa posiciona o México como pioneiro em um mercado financeiro emergente que busca canalizar investimento para a restauração, compensação e conservação ambiental.

“Estamos falando de 370 milhões de pesos que são destinados diretamente à natureza”, destacou Guillermo Hinojos Mendoza, CEO da ASES Ecological and Sustainable Services e da Nat5.

O que são os créditos de natureza?

Unidades negociáveis que certificam benefícios ambientais mensuráveis e rastreáveis.

Os créditos de natureza representam resultados positivos para o ambiente, como a reflorestação, restauração de zonas úmidas ou conservação da biodiversidade.

Ao contrário dos créditos de carbono, incorporam categorias como água, solo e biodiversidade, e são respaldados por sistemas de Monitoramento, Relatório e Verificação (MRV) com imagens de satélite e auditorias de campo.

  • Quem os vende? Agricultores, silvicultores e comunidades que realizam ações ambientais
  • Quem os compra? Empresas e investidores que buscam compensar impactos, melhorar reputação e cumprir metas ESG
  • Para que servem? Financiar projetos sustentáveis e mobilizar capital privado para a economia verde
créditos de natureza
México lança milhões de créditos de natureza e se posiciona no mercado ambiental.

Tecnologia blockchain e certificação ambiental

Os créditos estão certificados sob o protocolo aOCP (Ases On-Chain Protocol), que utiliza tecnologia blockchain para garantir transparência, rastreabilidade e segurança. Entre os projetos destacam-se:

  • Florestas de pinho-carvalho em Durango
  • Paisagens agroflorestais em Chihuahua e Oaxaca
  • Zonas úmidas costeiras na península de Yucatán

Todos com funções ecológicas chave e benefícios mensuráveis em regeneração ambiental.

Financiar a natureza: um novo paradigma econômico

Da filantropia aos ativos contábeis com retorno de investimento.

“O que antes era considerado filantropia, agora é um ativo econômico com valor contábil”, sublinhou Hinojos.

O fórum reuniu organizações ambientais, instituições financeiras e representantes governamentais, como Biotope, Carbon Genesys, KlimateNet, IMJUS, CONANP, e delegados do Banco do México, Secretaria de Fazenda e União Europeia.

Benefícios para empresas, ecossistemas e comunidades

Os créditos de natureza geram valor ambiental, social e econômico.

  • Empresas e instituições: melhoram reputação, reduzem riscos, acessam financiamento sustentável
  • Ecossistemas: recebem recursos para conservar habitats e espécies
  • Comunidades locais: obtêm renda e emprego em projetos de gestão ambiental
  • Ambiente local: melhora a qualidade do ar, da água e a disponibilidade de espaços naturais

Desafios e considerações chave

Regulação robusta e transparência para evitar o greenwashing.

A efetividade do mercado depende de:

  • Integridade técnica: processos rigorosos e resultados verificáveis
  • Marco regulatório: normas claras para evitar fraudes e assegurar impacto real
  • Colaboração multissetorial: entre governos, empresas e comunidades

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