A Reserva Los Andes em Salta enfrenta abandono enquanto cresce a mineração de lítio, colocando em risco sua rica biodiversidade. Este é um claro exemplo do conflito entre a conservação da natureza e a exploração de recursos minerais.
Apesar da aprovação de um plano de manejo, a falta de implementação e a crescente atividade mineradora ameaçam um ecossistema crucial para a biodiversidade e o equilíbrio hídrico.
O espaço protegido mais extenso de Salta não conta com uma gestão eficaz, o que deixa aberta a porta para que a extração de lítio avance em um ambiente delicado.
Apesar de sua importância, a Reserva Los Andes, que cobre a maior parte das áreas protegidas em Salta, continua sem um quadro de gestão efetivo.
Embora um plano tenha sido aprovado oficialmente, ainda não foi posto em prática, apesar da colaboração científica prévia.
A falta de gestão se reflete na insuficiência de pessoal e recursos. Um único guarda-parque, sem o apoio necessário, vigia uma extensão de mais de 14.000 quilômetros quadrados, área que supera em tamanho vários países pequenos.
Reserva dos Andes ameaçada pela mineração de lítio
A Reserva Natural de Fauna Silvestre Los Andes, localizada no noroeste da Argentina, é um ecossistema único onde os salares, lagoas e riachos atuam como oásis no deserto.
Esses ecossistemas dependem de um equilíbrio hídrico extremamente frágil, já que a água é um recurso vital tanto para a biodiversidade quanto para as comunidades locais.
A mineração de lítio, que consome grandes quantidades de água, representa uma ameaça direta para este equilíbrio, especialmente em uma região onde as lagoas são menores e mais vulneráveis do que em outras áreas mineradoras próximas.
Apesar de sua importância, a reserva — que constitui 80% da superfície protegida da província de Salta — carece de um plano de manejo operativo.
O documento, desenvolvido entre 2017 e 2018 com a participação de especialistas científicos, foi aprovado mas nunca implementado, ficando sem execução.
Essa falta de gestão se evidencia na escassez de recursos: apenas um guarda-parque sem equipamento suficiente supervisiona uma área maior que países como Líbano ou Montenegro.
A reserva abriga espécies emblemáticas como flamingos andinos, vicunhas e aves endêmicas, muitas delas ameaçadas.
Os especialistas apontam que a atividade mineradora está afetando essas populações. Em alguns salares, as colônias de flamingos diminuíram significativamente, reduzindo-se de centenas de ninhos a apenas uma dezena.
Além disso, a pressão humana associada à mineração gera efeitos indiretos, como a presença de resíduos e predadores oportunistas, que agravam a situação das espécies vulneráveis.
Os salares atuam como bacias fechadas endorreicas nas quais qualquer alteração tem efeitos acumulativos.
Esses ecossistemas são reguladores climáticos e captadores de carbono, e sustentam cadeias biológicas complexas, desde microrganismos até aves e mamíferos.
Alterar seu equilíbrio hídrico pode causar impactos irreversíveis, não apenas a nível local, mas também no conjunto do sistema ambiental.
O plano de gestão incluía medidas como a zonificação do território, com áreas de conservação estrita, uso limitado e exploração controlada.
Também contemplava melhorias para as comunidades locais, como acesso à água, energias alternativas e apoio à produção pecuária sustentável.
Apesar de contar com financiamento internacional, o projeto nunca foi executado, deixando a reserva sem proteção efetiva.
O plano foi financiado em parte pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) dentro de um programa de desenvolvimento sustentável.
Esperava-se um investimento de mais de 4 milhões de dólares para realizar cerca de 60 ações em cinco anos, muitas das quais se destinavam a melhorar a gestão ambiental e o bem-estar local.
No entanto, apesar de contar com recursos atribuídos, as autoridades não avançaram em sua implementação, gerando críticas sobre a gestão pública.
O lítio é um recurso estratégico para a transição energética global, o que intensificou sua exploração em regiões como Salta.
No entanto, os especialistas alertam que esse modelo pode gerar conflitos socioambientais, especialmente quando realizado em áreas sensíveis sem o planejamento adequado.
A situação da Reserva Los Andes reflete o desafio de equilibrar a demanda por minerais críticos com a proteção de ecossistemas chave e as comunidades locais.
O local abriga fauna emblemática como flamingos andinos, vicunhas e espécies de aves únicas, muitas delas em perigo. Os especialistas alertam que a atividade mineradora já está afetando a biodiversidade, com uma drástica redução de colônias reprodutoras em alguns salares.
A pressão humana vinculada à extração também causa danos indiretos, como o acúmulo de resíduos e a proliferação de predadores oportunistas, o que coloca em maior perigo espécies que já lutam para sobreviver em um ambiente em mudança.



