O Lago Nahuel Huapi em perigo: violação por construir na faixa de proteção costeira de Neuquén

O município de Villa La Angostura, **Neuquén**, detectou recentemente uma **infracción ambiental** em Puerto Manzano, onde um particular avançou sobre a faixa de restrição de margem que protege as costas do **lago Nahuel Huapi**. A legislação vigente estabelece um limite claro: não é possível construir a menos de 35 metros da margem.

Durante uma inspeção, o pessoal municipal constatou a instalação de uma **plataforma de cimento** sobre a qual foram colocados dois contêineres metálicos. As medições realizadas a partir da ponta desta estrutura até a linha d’água confirmaram a violação da norma.

A situação gerou maior preocupação ao detectar também um banheiro não químico, cujo sistema de drenagem é desconhecido. Este fato acende alertas sobre um **possível impacto direto** na qualidade da água, vital tanto para os **ecossistemas** quanto para o consumo humano e a atividade turística.

O caso está agora nas mãos do Tribunal de Faltas, que deverá resolver a sanção correspondente, enquanto a **comunidade ambiental** e vizinha observa com atenção os passos a seguir para garantir o cumprimento da lei.

O majestoso lago Nahuel Huapi. (Foto: Bariloche Turismo).

Ordenança 2659: a normativa que protege a costa do Nahuel Huapi

A **ordenança municipal 2659** é fundamental na **proteção ambiental** do lago. Estabelece a proibição de erguer construções a menos de 35 metros da margem, uma medida projetada para resguardar a **biodiversidade**, prevenir a **contaminação** e evitar a **erosão costeira**.

O espírito da normativa é claro: o Nahuel Huapi não pode ser submetido a pressões urbanísticas que afetem seu **equilíbrio natural**. Qualquer projeto que se queira desenvolver nessa zona deve ser avaliado sob critérios rigorosos de **impacto ambiental**.

A restrição busca, além disso, impedir que obras privadas limitem o **acesso público ao lago**. Este princípio reforça a ideia de que o Nahuel Huapi é um bem comum, cuja preservação e uso devem estar garantidos para todos os habitantes e visitantes.

Em combinação com outras ordenanças, como a 3178 de 2016, pretende-se consolidar um **marco legal** que proteja os **ecossistemas aquáticos** frente a atividades extrativistas, turísticas ou residenciais que possam alterar seu equilíbrio. O recente caso em Puerto Manzano evidencia a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle para assegurar seu cumprimento.

Antecedentes e controvérsias

O conflito tem antecedentes. Em 2017, os proprietários do lote haviam solicitado autorização para **um cais de uso público** na baía Manzano. O projeto contemplava áreas de serviço e foi apresentado dentro do marco da ordenança 2659.

Naquela época, a Secretaria de Planejamento e a Direção de Meio Ambiente avaliaram o plano e o consideraram de **baixo impacto ambiental**, por isso não apresentaram objeções. No entanto, antes de obter a autorização definitiva, foram realizados movimentos de terra que resultaram em uma **primeira multa**.

Anos depois, as inspeções confirmam que as **construções** persistem e que a normativa volta a ser infringida. A instalação de contêineres e sanitários sem a devida autorização expõe o avanço irregular sobre a **faixa protegida**.

Lago Nahuel Huapi, Neuquén. Foto: Google Maps.
Lago Nahuel Huapi, Neuquén. Foto: Google Maps.

Um problema ambiental e comunitário

O avanço de construções privadas sobre a margem não só configura uma infração legal, mas também um **problema ecológico** e social. As modificações do solo perto da água alteram o habitat de **espécies nativas**, afetam o escoamento natural e aumentam o risco de **contaminação**.

O lago Nahuel Huapi é um **ecossistema frágil** que é ameaçado pela pressão imobiliária e turística. A **proteção** de sua margem é indispensável para manter a qualidade de suas águas, fundamentais para a **biodiversidade**, a recreação e a economia regional.

O caso de Puerto Manzano é um chamado de atenção sobre a necessidade de fortalecer o planejamento urbano e o **controle ambiental**. Somente com medidas firmes será possível garantir que o desenvolvimento humano seja compatível com a preservação dos **recursos naturais**.

A **ordenança 2659**, nesse sentido, não é um obstáculo ao progresso, mas uma ferramenta essencial para assegurar que o crescimento de **Villa La Angostura** e seus arredores ocorra em harmonia com o **patrimônio natural** que dá identidade e sustento à região.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Calor extremo esgota reservas de inverno de geleiras suíças dois meses antes, ameaçando recursos hídricos

Os glaciares suíços enfrentam uma crise climática sem precedentes,...

Super El Niño na Argentina: alertas por tempestades severas e frio extremo no Litoral, Cuyo e Patagônia

A República Argentina enfrenta um cenário meteorológico complexo devido...