Uma nova análise científica revela que a mudança climática causada pelo homem elevou as temperaturas na Islândia e Groenlândia vários graus durante uma onda de calor recorde em maio.
A pesquisa, realizada pela World Weather Attribution, mostra que a camada de gelo da Groenlândia derreteu muito mais rápido do que o habitual, enquanto pelo menos duas comunidades registraram temperaturas históricas para um mês de maio.
Na Islândia, alguns setores experimentaram temperaturas 10 graus acima da média, atingindo um máximo de 26,6 °C no aeroporto de Egilsstadir em 15 de maio, a temperatura mais alta registrada no país neste mês.
Mudança climática e onda de calor recorde no Ártico
O Ártico é uma das regiões onde o aquecimento global se manifesta com maior intensidade.
O relatório aponta que, no clima atual, uma onda de calor dessa magnitude é um evento muito pouco frequente, com apenas 1% de probabilidades de ocorrer em um ano.
No entanto, sem o impacto da mudança climática causada pelo ser humano, esse fenômeno teria sido praticamente impossível.
A análise conclui que o calor extremo na região foi 40 vezes mais provável em comparação com o clima pré-industrial, evidenciando a influência humana nesses eventos.
Impacto global do degelo no Ártico
O derretimento acelerado da camada de gelo da Groenlândia representa um risco climático global, devido ao seu impacto nos oceanos e na circulação atmosférica.
Os cientistas alertam que a água doce liberada pelo degelo poderia desacelerar a circulação meridional do Atlântico, uma corrente chave que transporta água do golfo do México para a Europa e o Ártico.
Essa alteração poderia afetar os padrões climáticos no hemisfério norte, influenciando ventos, precipitações e temperaturas.
Consequências ambientais e sociais do degelo
O impacto do aquecimento no Ártico não afeta apenas os padrões meteorológicos, mas também a vida das comunidades indígenas na Groenlândia.
Com o derretimento do gelo marinho, as rotas tradicionais de caça e transporte foram alteradas, afetando a mobilidade com trenós puxados por cães.
Além disso, o degelo do permafrost gera riscos adicionais, como o colapso de infraestruturas e um aumento na frequência de deslizamentos de terra e tsunamis.
Globalmente, a perda de gelo contribui para o aumento do nível do mar, com implicações para zonas costeiras e nações insulares de baixa altitude.
Uma emergência climática com efeitos a longo prazo
O aumento de temperaturas e a aceleração do degelo no Ártico refletem a urgência de tomar medidas para mitigar a mudança climática, pois seus efeitos transcendem a região e afetam os ecossistemas e sociedades de todo o mundo.
Esse evento climático extremo reforça a importância de reduzir as emissões, preservar os gelos polares e desenvolver estratégias para se adaptar às consequências do aquecimento global.
Foto da capa: Olivier Morin / AFP



