O Superior Tribunal de Justiça (STJ) exigiu ao Governo de Rio Negro que defina e complete o Ordenamento Territorial de Bosques Nativos (OTBN), que não é realizado há mais de uma década. O tribunal deu um prazo de 30 dias ao governo provincial para apresentar um plano de trabalho detalhando como cumprirá com essa obrigação.
Esta decisão atendeu ao mandado de segurança apresentado pela Asociación Árbol de Pie e pela Fundación Ambiente, Desarrollo y Hábitat Sustentables, onde foi exigida a atualização do ordenamento territorial de acordo com o estabelecido na Lei de Bosques Nativos (26.331).

Descumprimento da Lei de Bosques
“Nos alegra ver que os juízes entenderam a urgência da atualização da cartografia que acompanha a Lei de bosques. As autorizações de desmatamento nestes anos não afetaram árvores isoladas, mas sim grandes extensões de floresta nativa. Inclusive, em alguns casos, áreas protegidas por lei”, afirmou Ana Wieman, referente da Árbol de Pie, ao NoticiasAmbientales.
Em 2010, em Rio Negro, foi elaborado um primeiro mapa para categorizar as áreas florestais (vermelho, amarelo e verde) de acordo com o seu valor de conservação. Esta cartografia inicial foi feita após a aprovação da lei provincial 4.552, em conformidade com a Lei de Bosques.
Apesar da norma estabelecer atualizações a cada cinco anos, estas nunca foram realizadas. Em 2015, o Conselho Consultivo, composto por funcionários, ambientalistas, arquitetos, apresentou um novo mapa, mas as autoridades provinciais não o tramitaram para aprovação.
A falta de mapas atualizados impactou na preservação das florestas autóctones na província. Wieman menciona que, inclusive, o mapa de 2010 já deixou em branco áreas críticas. Tudo isso foi aproveitado para a expansão urbana. “São autorizados desmatamentos em massa para desenvolvimentos imobiliários, além dos centros de esqui”, destaca a ativista.
O artigo 7 da Lei 26.331 estabelece que as jurisdições que não atualizarem seu OTBN “não poderão autorizar desmatamentos nem qualquer outro tipo de uso e aproveitamento das florestas nativas”.
Por isso, Wieman afirma que todas as autorizações para desmatamento nesta última década “foram ilegais”.

Atualização urgente de mapas
Em maio deste ano, o STJ solicitou ao Executivo provincial um relatório sobre o descumprimento da lei de Bosques. O Governo justificou o atraso alegando a dificuldade em “cumprir as diretrizes metodológicas” necessárias para realizar um ordenamento territorial.
No recente julgamento, o Tribunal desacreditou esses argumentos, destacando que “não se vislumbra um impedimento concreto para a revisão” do OTBN conforme exigido pela lei.
A decisão judicial também exige que o Governo Provincial descreva as medidas que serão tomadas para prevenir os impactos ambientais até que a atualização do OTBN seja aprovada.
Para Wieman, é importante estabelecer medidas para evitar novas autorizações nos próximos dias. “É urgente proteger as florestas até que o novo ordenamento seja concluído”, ressaltou.



