Parque Finky: um ecossistema chave para proteger a biodiversidade e resiliência climática em Lomas de Zamora

O pântano do Parque Finky voltou a ocupar um lugar central na agenda ambiental de Lomas de Zamora. Este espaço natural, além de abrigar numerosas espécies de flora e fauna nativas, cumpre uma função estratégica frente aos efeitos das mudanças climáticas, já que atua como reservatório de água durante chuvas intensas e contribui para moderar as temperaturas durante os períodos de calor extremo.

Neste contexto, o Município organizou uma jornada participativa junto a vizinhos e organizações socioambientais para analisar uma proposta de decreto destinada a garantir a conservação deste valioso ecossistema urbano.

Além disso, o encontro permitiu trocar experiências e somar contribuições relacionadas à gestão hídrica, à prevenção de inundações e ao levantamento da biodiversidade presente na área, fortalecendo assim o projeto antes de seu tratamento legislativo.

Mais de 150 espécies de aves transformam o Parque Finky em um enclave natural da província de Buenos Aires. Foto: La Unión.
Parque Finky: um ecossistema chave para proteger a biodiversidade e resiliência climática em Lomas de Zamora. Foto: La Unión.

Um decreto para conservar o sistema hídrico do Arroyo Galíndez

A iniciativa propõe declarar como “Pântano Protegido Arroyo Galíndez” o conjunto integrado pelo pântano e reservatório do Parque Finky, o Canal Santa María e o trecho do arroio que ainda conserva seu leito natural.

Por um lado, a proposta busca proteger a função hídrica do sistema, fundamental para amortecer excedentes de água durante eventos de precipitações intensas. Desta forma, pretende-se reduzir riscos de alagamentos em setores urbanos próximos.

Por outro lado, o projeto contempla a proteção dos processos ecológicos que permitem a sobrevivência de numerosas espécies de plantas, aves, anfíbios e insetos. Além disso, estabelece critérios para ordenar usos e intervenções futuras, promovendo políticas permanentes de conservação e restauração ambiental.

De lixão a refúgio de biodiversidade

O avanço desta proposta representa também um reconhecimento ao trabalho contínuo de vizinhos e organizações de Temperley e Turdera que, durante anos, impulsionaram a recuperação de um espaço degradado.

Graças a diferentes ações comunitárias, um antigo lixão a céu aberto conseguiu se transformar em um dos ambientes naturais com maior riqueza biológica dentro do distrito.

Consequentemente, o projeto de proteção busca assegurar que os esforços realizados durante décadas tenham continuidade, preservando tanto o valor ecológico quanto o uso social e educativo do local para as futuras gerações.

Parque Finky: um ecossistema chave para proteger a biodiversidade e resiliência climática em Lomas de Zamora. Foto: La Unión.
Parque Finky: um ecossistema chave para proteger a biodiversidade e resiliência climática em Lomas de Zamora. Foto: La Unión.

Os benefícios de conservar pântanos em grandes centros urbanos

Os pântanos urbanos são considerados infraestruturas naturais essenciais para as cidades modernas. Sua capacidade de absorver grandes volumes de água permite diminuir o impacto de tempestades intensas e reduzir a pressão sobre os sistemas de drenagem.

Além disso, funcionam como reguladores térmicos naturais. A presença de água e vegetação ajuda a reduzir as chamadas “ilhas de calor”, um fenômeno cada vez mais frequente em áreas densamente urbanizadas.

Por sua vez, esses ecossistemas capturam carbono, melhoram a qualidade do ar, filtram poluentes e oferecem refúgio a numerosas espécies de fauna silvestre. Também geram espaços de recreação, educação ambiental e contato com a natureza, fortalecendo a qualidade de vida da população.

Avança o censo arbóreo e a florestação nos bairros

Paralelamente à iniciativa vinculada ao pântano, o Município desenvolve um amplo censo de árvores junto à Faculdade de Agronomia da UBA.

As tarefas já alcançaram ruas e espaços públicos de Temperley, Lomas, Banfield, San José, Lamadrid, Parque Barón, Santa Marta, Centenario Budge e Fiorito. Atualmente, os trabalhos continuam em Santa Catalina.

Por meio de ferramentas digitais, cada exemplar é fotografado e georreferenciado, gerando informação técnica que permite planejar novas ações de florestação urbana. Além disso, continuam as plantações participativas em diferentes bairros, uma estratégia que busca ampliar a cobertura vegetal, melhorar a qualidade ambiental e fortalecer a adaptação da cidade frente aos desafios climáticos do futuro.

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