A Suprema Corte de Justiça da Nação declarou sua competência originária nas ações movidas por Buenos Aires, La Rioja, Santiago del Estero e La Pampa contra o decreto 888/24 do Governo nacional, que determinou a dissolução do Fundo Fiduciário de Proteção Ambiental das Florestas Nativas (Fobosque).
O Tribunal notificou o Estado Nacional – através do Ministério da Economia – para que responda em um prazo de 60 dias. As províncias sustentam que a medida implica a transferência ilegítima de fundos com destinação específica ao Tesouro Nacional. Isso afeta diretamente o Fundo Nacional para o Enriquecimento e a Conservação das Florestas Nativas (FNECBN) previsto na Lei 26.331.
Argumentos das províncias
As províncias demandantes reivindicam a inconstitucionalidade dos artigos 3 e 4 do decreto e a restituição plena do FNECBN.
- Buenos Aires denunciou que a medida contradiz a Constituição e tratados internacionais, afetando seu Plano Estratégico provincial.
- Além disso, afirmou que o Estado nacional não transferiu os montantes correspondentes a 2023 e 2024, solicitando uma medida cautelar para a transferência imediata desses recursos com juros.
- La Rioja, La Pampa e Santiago del Estero apresentaram reivindicações semelhantes.
A Suprema Corte, em linha com a Procuradoria Geral, considerou que os fatos justificam sua intervenção direta e que cabe avaliar as medidas cautelares uma vez que o Estado responda.
Antecedentes do Fobosque
O fideicomisso foi criado em 2018 como instrumento para implementar medidas de proteção das florestas nativas no âmbito dos compromissos internacionais da Argentina, incluindo o Acordo de Paris.
Seu objetivo era melhorar a eficiência e transparência na administração de recursos, fortalecendo a capacidade das províncias para executar projetos de conservação e manejo sustentável.

Greenpeace e o desmatamento
A reivindicação provincial se soma a uma denúncia apresentada por Greenpeace perante a Corte. A organização alertou que em 2025 a perda de florestas no norte do país aumentou 40% em relação ao ano anterior, alcançando 210.702 hectares desmatados ou incendiados:
- Santiago del Estero: 104.474 ha.
- Chaco: 38.392 ha.
- Salta: 34.067 ha.
- Formosa: 33.769 ha.
A Greenpeace advertiu que a Argentina está longe de cumprir o compromisso de Desmatamento Zero para 2030, assumido na COP26 de Glasgow. Além disso, denunciou que o governo nacional e algumas províncias buscam modificar a Lei de Florestas para facilitar novos desmatamentos, o que considera grave e inconstitucional.
A intervenção da Suprema Corte coloca no centro do debate a proteção das florestas nativas e o cumprimento dos compromissos ambientais internacionais. Enquanto as províncias reivindicam a restituição de fundos específicos para conservação, organizações como a Greenpeace alertam sobre o aumento do desmatamento e os riscos de flexibilizar a normativa vigente. A decisão que surgir desta causa será crucial para definir o futuro da política florestal na Argentina.



