Quebracho centenário de Villa Allende: incidentes com ambientalistas e guindaste pronto para transplante muito resistido

O quebracho centenário continua gerando questionamentos pela decisão de sua transferência.

O dia de hoje em Villa Allende foi marcado pela tensão e o silêncio de uma operação policial.

Em uma reviravolta dramática na disputa pelo destino do histórico quebracho centenário branco de 284 anos, forças de segurança procederam ao despejo dos ambientalistas e vizinhos que mantinham um acampamento em defesa da árvore.

Com os ativistas afastados, a imponente grua necessária para a transplantação já está posicionada, pronta para mover este monumento vivo que se tornou o símbolo da luta entre o desenvolvimento urbano e a preservação do patrimônio natural.

Grua preparada para trasladar al quebracgo centenario
Grua preparada para trasladar al quebracgo centenario

O dia transcorreu em meio a um hermetismo que só foi quebrado pela ação policial. Nas últimas semanas, este quebracho centenário branco, um exemplar da espécie nativa Aspidosperma quebracho-blanco, tem sido o epicentro de um intenso conflito.

Seu valor não reside apenas em seus quase três séculos de existência, mas em sua profunda conexão com a biodiversidade local e a memória ambiental da comunidade.

A Prefeitura de Villa Allende havia confirmado sua intenção de removê-lo, argumentando a necessidade de progresso e obras, uma decisão que imediatamente acendeu os alarmes de vizinhos e organizações.

Incidentes no operativo para desalojar os manifestantes Incidentes no operativo para desalojar os manifestantes. Foto: LA VOZ

A resistência silenciada: um despejo antes da transferência

O acampamento em defesa do quebracho, mantido por organizações ambientais e cidadãos conscientes do meio ambiente, havia se tornado um bastião da resistência pacífica.

Comunicado das empresas de guindastes Comunicado das empresas de guindastes

Dias atrás, até mesmo oito empresas de içamento com guindaste haviam se recusado publicamente a participar da operação de transferência, alegando razões éticas e de consciência ambiental.

Seus comunicados conjuntos destacavam a “atrocidade” de mover um exemplar de tal importância ecológica, científica, educativa, cultural e histórica, e questionavam a viabilidade real do transplante de uma árvore centenária.

No entanto, a firmeza da Prefeitura em prosseguir com a transferência parece ter prevalecido, pelo menos nesta etapa.

Despejo policial de ativistas e vizinhos Despejo policial de ativistas e vizinhos. Foto LA VOZ

O despejo dos ambientalistas na escuridão da madrugada é um claro indicativo da determinação de avançar com a operação, buscando evitar maiores confrontações públicas e midiáticas.

A presença agora visível da grua, um gigante mecânico, destaca a iminência de um movimento que os especialistas consideram de altíssimo risco para a sobrevivência da árvore.

O risco iminente para o quebracho centenário

Como especialista em árvores nativas, devo ressaltar a enorme preocupação gerada pela tentativa de transplantar um exemplar de quebracho branco de 284 anos.

Os quebrachos são árvores de crescimento extremamente lento e de raízes profundas e delicadas. Sua sobrevivência depende de um equilíbrio complexo com o solo e o ecossistema circundante, forjado ao longo de séculos.

A ciência é clara a respeito: o transplante de árvores centenárias, especialmente de espécies de crescimento lento como o quebracho, raramente garante sua sobrevivência a longo prazo.

A taxa de sucesso é, infelizmente, muito baixa. O choque do transplante, a alteração do sistema radicular, a adaptação a um novo solo e microclima são desafios colossais que poucos exemplares tão longevos conseguem superar.

Além de seu valor individual, a remoção de uma árvore dessa magnitude implica uma perda irremediável de serviços ecossistêmicos – como o fornecimento de habitat, a regulação microclimática e a conservação do solo – e um dano profundo à memória biocultural</

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