Reforma da Lei de Geleiras: 61% dos argentinos rejeitam o projeto por risco ambiental e perda de soberania

Um levantamento realizado em março mostra que 61% dos argentinos está contra a reforma da Lei de Glaciares, em comparação com 17% a favor e 22% sem posição definida.

O dado reflete uma forte rejeição social à iniciativa impulsionada pelo governo, em um contexto de audiências públicas e crescente preocupação com o impacto ambiental e o acesso à água.

Argumentos contra e a favor

Entre aqueles que rejeitam a reforma:

  • 29% considera que coloca em risco as reservas de água doce.
  • 26% adverte sobre perda de soberania sobre recursos naturais.
  • 13% aponta possíveis danos ambientais irreversíveis.

Em contraste, aqueles que apoiam a modificação destacam:

  • 34% acredita que pode impulsionar o desenvolvimento econômico e atrair investimentos.
  • 25% afirma confiar no governo.

No entanto, esses argumentos são ofuscados pelas preocupações ambientais e sociais que dominam a discussão pública.

Diferenças regionais

A análise por regiões mostra contrastes:

  • NOA: único lugar onde o apoio supera a rejeição (39% a favor vs. 34% contra).
  • Sul do país: desacordo atinge 81%.
  • Cuyo: rejeição chega a 77%, refletindo resistência em áreas diretamente vinculadas a ecossistemas sensíveis.
Ley de Glaciares
61% dos argentinos está contra a reforma da Lei de Glaciares.

Contexto político e social

O debate ocorre em um clima de crescente descontentamento com o governo:

  • Imagem negativa do presidente Javier Milei subiu 12 pontos em relação a fevereiro, atingindo 62%.
  • Desaprovação de sua gestão: 64%.
  • 65% não acredita que o governo possa melhorar a situação do país.
  • Na economia, 86% afirma não conseguir chegar ao fim do mês ou fazê-lo com o justo, e dentro desse grupo, 50% diretamente não consegue cobrir suas despesas.

Segundo José Ganguí, da consultoria Delfos, “as provisões de recursos, a soberania e o impacto ambiental superam amplamente os argumentos econômicos”.

Possíveis consequências da reforma

A modificação da Lei de Glaciares, impulsionada para favorecer a mineração e a exploração petrolífera em áreas periglaciais, poderia provocar efeitos irreversíveis:

  • Risco hídrico: perda de reservas de água doce que abastecem 36% da superfície continental argentina.
  • Impacto extrativo: habilitação de mineração e petróleo em áreas antes protegidas.
  • Conflitos legais: possível violação do artigo 41 da Constituição e do princípio de não regressão ambiental.
  • Enfraquecimento institucional: subordinação de critérios técnicos a decisões políticas provinciais.
  • Efeitos ecológicos: ameaça à biodiversidade, já que 56% das espécies avaliadas habitam regiões alimentadas por glaciares.

A rejeição majoritária à reforma da Lei de Glaciares reflete não apenas a preocupação ambiental, mas também um clima social crítico em relação às políticas do governo. Em um contexto de crise econômica e desconfiança política, a defesa dos glaciares se torna um símbolo de soberania, água e futuro sustentável para milhões de argentinos.

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