Num contexto global marcado pela urgência climática e pela luta contra a desflorestação, uma experiência concreta de restauração florestal avança com força na província de Misiones.
Há quase oito anos, a empresa Concept Nature Management SA desenvolve um modelo florestal que quebra com o esquema tradicional de monoculturas exóticas, apostando na restauração da floresta nativa através de práticas sustentáveis e espécies autóctones de alto valor madeireiro.
Diagnóstico técnico e planejamento ecológico
Com base em Leandro N. Alem e atuação em áreas do norte e do sul da província, a empresa —composta por capitais argentinos e alemães— já plantou mais de 200.000 exemplares nativos, como cañafístola, loro blanco, anchico, grapia, timbó, guatambú, cedro misionero e cancharana, entre outros.
Muitas destas espécies estão ameaçadas ou com populações fragmentadas, sendo a sua reintegração à paisagem uma ação-chave para a conservação genética.
A recuperação dos ecossistemas baseia-se em diagnósticos técnicos detalhados, que avaliam o estado da floresta, a biodiversidade presente e as condições do solo. “Cada decisão é baseada em mapas, inventários e análises do local”, explicou a engenheira agrônoma Camila Candia, membro da equipa técnica em diálogo com o portal El Territorio.
Restauração florestal e manejo seletivo
O modelo implementado centra-se em plantar árvores dentro da floresta nativa, respeitando a sua estrutura e biodiversidade. São aplicadas faixas manuais para o plantio, deixando faixas sem intervenção como suporte ecológico. Além disso, quando é realizada a exploração madeireira seletiva, a reflorestação é feita no mesmo local com 400 a 500 mudas por hectare, alcançando 200 hectares por ano.
“A produção de madeira não implica destruir a floresta, mas sim regenerá-la”, afirmou Michael Trapp, fundador da empresa. “A sustentabilidade é metodologia, não discurso”, acrescentou.
Viveiro florestal e produção de qualidade genética
Um dos pilares do projeto é o viveiro florestal localizado no Lote 12, na Rota Provincial 4. Ali é produzida uma ampla variedade de espécies nativas a partir de árvores matrizes registadas no INASE, garantindo qualidade genética e adaptação local.
Cada planta passa por um processo de rústica e aclimatação, assegurando a sua sobrevivência em condições naturais.
A estrutura atual permite produzir 250.000 exemplares por ano, com projeção de alcançar 450.000 em 2026 e chegar ao milhão de plantas anuais.
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Monitoramento ambiental e créditos de carbono
As ações de reflorestamento são monitorizadas anualmente para avaliar o crescimento da biomassa, a saúde da floresta e a sua capacidade de captura de carbono.
Estes dados permitem projetar a geração de créditos de carbono sob padrões internacionais, transformando as florestas restauradas em ativos ambientais comercializáveis.
“A reflorestação com espécies nativas pode ser financeiramente sustentável”, destacou Trapp, que antecipou que a empresa está analisando oportunidades no mercado de compensação da pegada de carbono.
Impacto social e articulação territorial
Desde o início, Concept Nature incorporou uma perspetiva social ao trabalho, promovendo capacitações em direitos laborais, segurança e conservação ambiental. Além disso, articula ações com a comunidade local, fortalecendo laços territoriais e respeitando os saberes do ambiente.
Na zona sul de Misiones, a empresa possui 790 hectares certificadas sob gestão florestal sustentável (PEFC), distribuídas nas propriedades Buena Vista, La Mata, Cavallero Cué e Caá Guazú, que compõem a Unidade de Gestão Florestal “Sierra del Imán”.
Ali foram identificados locais prioritários para a conservação, como a área adjacente ao Parque Provincial Ing. Raúl Martínez Crovetto, onde a biodiversidade é protegida de forma rigorosa.
Visibilidade e projeção: rumo à Feira Florestal Argentina
Com presença territorial consolidada, certificação internacional em processo e uma abordagem técnica rigorosa, o Concept Nature se prepara para participar pela primeira vez na Feira Florestal Argentina, que ocorrerá de 6 a 9 de novembro em Concordia, Entre Ríos.
“Vamos expor os nossos avanços, esquemas de gestão e produtos, demonstrando que as espécies nativas, com uma gestão adequada, têm rendimento e rentabilidade”, adiantou Trapp. O estande incluirá mudinhas, produtos madeireiros e substratos, num espaço chave para a troca de experiências do setor florestal.



