Turismo vs salmonicultura: um debate chave para o futuro da Patagônia no Chile e na Argentina

A comparação entre turismo e salmonicultura volta ao centro do debate na Patagônia. Um estudo chileno publicado em 2024 desmitifica os benefícios econômicos da salmonicultura e os contrasta com as contribuições do turismo.

Segundo o levantamento, em 2023 o turismo contribuiu com 9,7% do PIB nacional, gerando 960.000 empregos e US$13.000 milhões em divisas, quase dez vezes mais do que a indústria de salmão, que exportou US$6.463 milhões e gerou 70.000 empregos.

Impactos ambientais e riscos ecológicos

A salmonicultura enfrenta denúncias por contaminação, uso de antibióticos e afetação de ecossistemas únicos.

O estudo adverte que a salmonicultura chilena, embora rentável, arrasta graves impactos ambientais: fugas de peixes, contaminação de fiordes como Comau, uso intensivo de antibióticos e afetação de habitats marinhos.

Estes efeitos colocam em risco a biodiversidade e o futuro da Patagônia chilena, uma das regiões mais frágeis e valiosas do planeta.

Turismo: motor de desenvolvimento sustentável

Gera emprego local, promove conservação e fortalece a equidade territorial.

Em 2024, o Chile recebeu 5,2 milhões de visitantes estrangeiros, um 40% mais do que no ano anterior, o que se traduziu em emprego, bem-estar e proteção dos territórios.

O estudo conclui que o turismo supera a salmonicultura em contribuição econômica, e além disso impulsiona conservação, diversidade cultural e equidade regional, sem os riscos ecológicos associados à indústria aquícola.

salmonicultura
Turismo vs. salmoneras: o dilema que persegue a Patagônia.

O caso argentino: Terra do Fogo e o Canal de Beagle

Um estudo de 2019 projetou escassos benefícios e altos custos ambientais para a salmonicultura no extremo sul.

Na Argentina, uma análise sobre possíveis cultivos no Canal de Beagle estimou que seriam gerados apenas 75 empregos diretos, em sua maioria qualificados e provavelmente preenchidos por pessoal estrangeiro.

O relatório alertou sobre impactos ambientais incalculáveis, com risco para o turismo, o ecossistema e a economia local, e concluiu que a província dificilmente poderia se apropriar dos benefícios desta indústria a curto prazo.

Turismo fogueano: emprego local e diversidade de perfis

Contribui com 15% do emprego privado registrado e demanda mão de obra local e variada.

Até 2019, o turismo na Terra do Fogo empregava diretamente 7.200 pessoas e indiretamente 16.500, com um efeito multiplicador ainda não quantificado.

Ao contrário da salmonicultura, o turismo demanda perfis diversos, fomenta a contratação local e fortalece o tecido socioeconômico da região.

Cultivo em mar aberto? Um desafio técnico e territorial

A geografia fogueana dificulta o desenvolvimento da salmonicultura na Costa Atlântica.

O projeto de lei que busca modificar a Lei 1.355 permitiria cultivos apenas em mar aberto, mas a amplitude das marés e a força das ondas na costa fogueana limitam sua viabilidade técnica e econômica.

Em contrapartida, poderiam ser potencializadas atividades existentes, como o turismo, que já demonstra maior relevância econômica e menor impacto ambiental.

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