Um ano após assinar o Tratado de Alto Mar, a Argentina ainda não o ratificou.

Diversas organizações ambientais estão pedindo ao Governo que ratifique o Tratado de Alta Mar, um acordo que protege a biodiversidade das águas internacionais. A Argentina assinou o compromisso em 18 de junho de 2024, mas um ano depois, não houve avanço nos trâmites para a ratificação.

As demandas se intensificaram nesta semana, após a participação do presidente Javier Milei na III Cúpula Mundial dos Oceanos da ONU na França.

“Esta presença pode ser interpretada de forma positiva, desde que esteja acompanhada por uma firme intenção de ratificar o tratado”, afirmou Juan Coustet, da organização Sin Azul No Hay Verde, à Noticias Ambientales.

Para a ratificação, o Ministério das Relações Exteriores deve formular e enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional. Este documento deverá ser discutido e aprovado por ambas as câmaras, para que o Poder Executivo possa concretizar sua adesão.

O Tratado de Alta Mar busca conservar e preservar a abundante biodiversidade dos oceanos. Foto: Daniel Versteeg WWF.

Urgência de ratificar o tratado de Alta Mar

O Tratado de Alta Mar, cujo nome oficial é Acordo sobre a Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade Marinha para além das Jurisdições Nacionais, visa conservar e promover uma gestão sustentável da riqueza das águas internacionais.

As áreas de alta mar representam dois terços dos oceanos (equivalente a quase metade do planeta), não pertencem a nenhum Estado e constituem um patrimônio comum da humanidade.

“É fundamental ratificá-lo, não apenas porque a vida no planeta depende da saúde dos oceanos, mas também porque não podemos ficar de fora das negociações globais para sua conservação e uso responsável”, afirmaram do Círculo de Políticas Ambientais em um comunicado.

Segundo Coustet, este acordo “constitui uma ferramenta-chave para coordenar esforços globais diante das ameaças que nossos oceanos enfrentam“. Além de serem grandes reservatórios de biodiversidade, esses ecossistemas atuam como reguladores climáticos e são os principais sumidouros de carbono.

O ativista menciona que algumas iniciativas contempladas no Tratado de Alta Mar são: o estabelecimento de áreas marinhas protegidas; estudos de impacto ambiental obrigatórios antes de desenvolver atividades em alto mar; a distribuição equitativa dos benefícios derivados dos recursos genéticos marinhos e a transferência de tecnologia e capacitação, especialmente voltadas para os países em desenvolvimento.

Javier Milei marcou presença no primeiro dia da III Cúpula Mundial dos Oceanos, na França. As organizações ambientais pedem que o governo argentino adote medidas concretas em prol da biodiversidade marinha.

Impacto do atraso

Desde 2004, quando começaram as primeiras reuniões nas Nações Unidas, a Argentina teve uma participação ativa na gestação do acordo. Para os ambientalistas, toda essa preparação torna a implementação do acordo uma responsabilidade política e diplomática.

“Não ratificar o tratado implicaria um sério retrocesso em termos ambientais, com consequências negativas para a proteção de nossos recursos. Portanto, também para o desenvolvimento econômico que poderia advir de sua exploração sustentável. Em termos simples, ficaríamos para trás tanto em termos ambientais quanto geopolíticos e econômicos”, afirmou Coustet.

Até o momento, 135 países assinaram o tratado. 51 deles já o ratificaram (principalmente pertencentes à União Europeia). Para entrar em vigor, o acordo requer que, pelo menos, 60 países já o tenham feito. Na América Latina, países como Cuba, Chile e Costa Rica já o ratificaram.

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