A Associação Argentina de Advogados Ambientalistas (AAdeAA) e o Coletivo de Ação pela Justiça Ecosocial (CAJE) apresentaram um relatório duro no qual apontam o Governo argentino pelo “maior retrocesso ambiental” desde o retorno da democracia.
Trata-se do primeiro Relatório de Retrocessos Ambientais, um documento no qual analisam as medidas adotadas pela administração atual de Javier Milei, desde dezembro de 2023.
Segundo o levantamento, o país atravessa “o maior retrocesso em direitos econômicos, sociais, ambientais e culturais desde a recuperação democrática”.
“Maior retrocesso ambiental”: o duro relatório sobre a situação argentina
O relatório afirma que, em nome da liberdade econômica, a administração atual implementa um “programa de saque planejado”.
Nessa linha, menciona várias iniciativas como a revogação de leis, o esvaziamento ou dissolução de organismos públicos, a entrega de recursos naturais e a criminalização daqueles que defendem a água, a terra e a vida.
Entre os casos mais graves, acusa-se o Governo de privatizar rios, promover a mineração a céu aberto e enfraquecer os controles sobre desmatamentos, incêndios e inundações.
“É preciso deixar registro do que está acontecendo”: o que diz o documento

Enrique Viale, presidente da AAdeAA, explicou que o documento, com mais de 80 páginas, reúne medidas tomadas desde o início da gestão. Como a passagem do Ministério do Meio Ambiente para Subsecretaria, cortes orçamentários no combate a incêndios, ataques à ciência e ao desmantelamento institucional.
“Quando as coisas são apagadas de uma vez, levam décadas para se recuperar. Por isso documentamos”, afirmou Viale. Além disso, adiantou que o relatório será enviado ao Poder Executivo, ao Congresso e a organismos internacionais.
“Negação climática” e “perseguição política”, as denúncias do relatório
O levantamento denuncia que o presidente Milei e parte de seu gabinete mantêm posturas negacionistas sobre a crise climática e suas causas humanas. Inclusive, menciona que o presidente do CONICET, Daniel Salamone, divulgou em várias ocasiões mensagens afins a essas posições em suas redes sociais.
O documento também detalha o avanço dos combustíveis fósseis, o aumento da mineração de lítio e metálica, o desmantelamento de normas ambientais e o uso da inteligência estatal para “perseguição política”.
Além disso, enumera o fechamento ou enfraquecimento de organismos-chave como o Ministério do Meio Ambiente, INTA, INA, ACUMAR, INAI e a Direção Nacional de Emergências, juntamente com a dissolução da Direção Nacional de Agroecologia, INAFCI, INASE e ENOHSA.
A desaparição dessas instituições, alerta o relatório, deixa “sem respaldo técnico e financeiro as políticas de conservação e gestão ambiental”. Além disso, denuncia que leis e fundos destinados a proteger ecossistemas foram eliminados ou modificados, enquanto normas como a Lei Bases e o RIGI se consolidam como ferramentas para “legalizar o despojo”.

O relatório será apresentado primeiro à Câmara dos Deputados, ao Senado e a fóruns internacionais como o Acordo de Escazú.
“A negação climática não é uma anomalia, é o projeto”, conclui o documento. Além disso, insta a deter o desmantelamento das políticas ambientais e a construir um futuro baseado na justiça ecosocial, na participação democrática e na proteção da vida.



