No próximo 15 de novembro, a organização Mais rio, menos lixo voltará a reunir voluntários para limpar as praias públicas do norte de Rosário. A jornada, que se estende desde o Aquário do Paraná até Costa Alta, busca enfrentar um problema que não para de crescer: o acúmulo de resíduos, em especial plásticos, nas costas e ilhas do rio.
Longe de diminuir, o lixo coletado a cada ano aumenta. Na última edição foram recolhidas mais de uma tonelada e meia de resíduos, sete vezes mais que no ano anterior. A maioria corresponde a garrafas, embalagens, copos descartáveis e bitucas.
Esta realidade reflete um padrão de consumo acelerado e descartável, no qual os produtos de uso único se tornaram uma ameaça persistente para os ecossistemas aquáticos.

Dez anos de compromisso ambiental
Desde 2016, o coletivo Mais rio, menos lixo reúne voluntários, instituições e ONGs que trabalham de forma coordenada para limpar, classificar e analisar os resíduos coletados. Nesta nova edição, a jornada incluirá a participação de caiaquistas que somarão resíduos retirados das ilhas.
A atividade começará às 8:30 na rambla Catalunya e se desenvolverá em diferentes pontos da costa. Após a coleta, os materiais serão classificados para determinar que tipos de resíduos predominam e quais são as marcas mais frequentes.
O encontro finalizará com uma feira sustentável e atividades culturais, celebrando uma década de trabalho coletivo em defesa do rio e seus pântanos.
As consequências da contaminação plástica
O plástico representa 90% dos resíduos encontrados no Paraná. Seu acúmulo altera a dinâmica natural do ecossistema, reduz a qualidade da água e afeta diretamente a fauna.
As aves e peixes confundem fragmentos plásticos com alimento, o que pode provocar sua morte ou a introdução de microplásticos na cadeia alimentar. Esses materiais, que demoram séculos para se degradar, também interferem no transporte de nutrientes e na oxigenação da água.
Além disso, a contaminação plástica agrava o impacto das inundações, já que os resíduos bloqueiam os cursos de água e aumentam o risco de alagamentos em áreas urbanas e rurais.

Medidas na Argentina para frear a contaminação plástica
Embora o país careça de uma lei nacional que limite os plásticos de uso único, existem ordenanças municipais e projetos legislativos que buscam reduzir o problema. Várias cidades proibiram as sacolas plásticas em comércios ou os canudos descartáveis em bares e restaurantes.
Em paralelo, algumas províncias promovem políticas de economia circular, incentivando a reciclagem, a separação domiciliar e a reutilização de materiais. No entanto, a aplicação dessas medidas ainda é desigual e de alcance limitado.
A falta de uma estratégia integral a nível nacional impede avançar para uma redução real da produção e consumo de plásticos, deixando grande parte da responsabilidade nas mãos dos cidadãos e das organizações civis.
Como reduzir a contaminação desde casa
Cada ação cotidiana pode contribuir para frear a contaminação plástica. Adotar hábitos de consumo responsáveis é um primeiro passo fundamental. Usar garrafas reutilizáveis, sacolas de tecido e recipientes duráveis permite diminuir o uso de embalagens descartáveis.
Separar os resíduos recicláveis e entregá-los a cooperativas locais ajuda a que os materiais recuperáveis não acabem nos rios ou aterros sanitários. Também é importante evitar produtos com excesso de embalagem e optar por compras a granel ou em mercados locais.
A educação ambiental e a participação comunitária são fundamentais. Pequenas mudanças no lar podem gerar um impacto coletivo quando são mantidas de forma constante.

Um futuro possível para o Paraná
As campanhas de limpeza demonstraram que a ação cidadã pode fazer a diferença. Em cada jornada são recuperados dados valiosos que orientam políticas públicas e fortalecem a consciência ambiental.
No entanto, a solução definitiva requer uma transformação estrutural do modelo de produção e consumo, com maior compromisso estatal e empresarial. Os rios não podem continuar sendo o destino final dos resíduos humanos.
O Paraná, fonte vital de água e biodiversidade, necessita de políticas sustentadas e de uma cidadania ativa para recuperar seu equilíbrio. Em suas margens, cada resíduo recolhido simboliza uma esperança de mudança e um lembrete urgente: cuidar do rio é cuidar da vida.



