Eletromobilidade na Argentina: lições do modelo uruguaio para acelerar a adoção de carros elétricos

O mercado automotivo argentino está passando por um processo de mudança com a chegada de marcas chinesas que oferecem carros elétricos e híbridos a preços mais competitivos e com maior disponibilidade tecnológica.

No entanto, a adoção em massa enfrenta barreiras estruturais: falta de infraestrutura de carregamento, políticas fiscais restritivas e distâncias geográficas que complicam a operação desses veículos.

O modelo uruguaio

O Uruguai se tornou um referente regional em eletromobilidade graças a políticas ativas e sustentadas:

  • Rede de carregamento público: mais de 220 pontos distribuídos por todo o país, com cobertura nos principais corredores rodoviários.
  • Transporte público elétrico: ônibus e táxis já funcionam com essa tecnologia, apoiados por subsídios estatais.
  • Política fiscal favorável: tarifa zero para carros elétricos, sem cotas nem limites de preço.
  • Condições de uso: distâncias mais curtas e um preço da gasolina mais alto (cerca de USD 2 por litro) que incentiva a transição para o elétrico.

Diferenças com a Argentina

Na Argentina, a política fiscal limita a expansão:

  • Existe uma cota de 50.000 unidades para híbridos e elétricos, com um preço FOB máximo de USD 18.000.
  • A infraestrutura de carregamento é incipiente e as grandes distâncias do país dificultam a previsibilidade de viagens interurbanas.
  • O preço da gasolina é mais baixo do que no Uruguai, o que reduz o incentivo econômico para migrar para o elétrico.
carros elétricos
O mercado de carros elétricos na Argentina está se transformando.

Cinco medidas que a Argentina poderia replicar

De acordo com empresas do setor, estas são as chaves do modelo uruguaio que poderiam ser adaptadas ao mercado argentino:

  1. Isenção fiscal: eliminar impostos internos e patentes para carros elétricos.
  2. Tarifas elétricas diferenciadas: aplicar descontos em cargas noturnas domiciliares.
  3. Rede de carregamento ampliada: implantar infraestrutura em rodovias nacionais e corredores estratégicos.
  4. Interoperabilidade: criar uma plataforma unificada que simplifique o pagamento e uso de carregadores.
  5. Política de Estado: promover uma mudança estrutural para uma matriz energética mais limpa na mobilidade.

Impacto regional e internacional

A experiência uruguaia demonstra que a combinação de incentivos fiscais, infraestrutura e planejamento a longo prazo é determinante para acelerar a adoção da eletromobilidade. Em contraste, a chegada de novos modelos na Argentina, mesmo com forte presença de fabricantes chineses, não basta por si só para transformar o setor.

O Uruguai oferece um modelo concreto e próximo que a Argentina pode observar para superar suas barreiras estruturais.

A chave está em integrar políticas fiscais claras, infraestrutura de carregamento confiável e uma estratégia nacional que incentive a transição para veículos elétricos. Só assim a eletromobilidade poderá se consolidar como uma alternativa real e sustentável no país.

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