Caminhões anfíbios são a única ligação que conecta Cabo Polonio no Uruguai para proteger a natureza.

No remoto Cabo Polonio, Uruguai, 18 caminhões militares convertidos em caminhões anfíbios são o único acesso a este parque nacional protegido.

Estes veículos todo-terreno, operados por empresas locais, transportam turistas através de 8 quilômetros de dunas e trilhas de areia onde os carros particulares são proibidos para preservar o frágil ecossistema.

Menos de 100 pessoas residem permanentemente nesta área da costa atlântica uruguaia, que recebe um grande fluxo de visitantes no verão.

## Gigantes adaptados ao desafio arenoso

Edith Son Lorenzo, condutora de um destes “caminhões“, explica sua singularidade: “Este é o único lugar com este tipo de passeios”. Estes veículos, antigamente usados para transportar soldados, foram readaptados para o turismo.

![Camiones anfibios en Uruguay](https://storage.googleapis.com/media-cloud-na/2025/06/camiones-anfibios-en-cabo-polonio.jpeg)

Possuem tração nas quatro rodas e até tração nas seis rodas para enfrentar a areia solta após dias sem chuva.

Daniel Quintana, outro condutor, detalha: “A parte mais difícil é quando a areia fica solta… Agora está boa porque está úmida“. A velocidade máxima gira em torno de 30 km/h devido à instabilidade de sua estrutura de dois andares, projetada para vistas panorâmicas.

## Legado histórico sobre rodas: caminhões anfíbios

O sistema começou nos anos 80, substituindo cavalos e camelos. Os primeiros veículos eram do exército uruguaio, mas hoje a frota inclui modelos fabricados por Iveco e Fiat (Itália), Euro (Espanha), Ural (Rússia), ou marcas extintas como Río (EUA) e IFA (antiga Alemanha Oriental).

Um IFA W-50, recém-chegado, serviu em uma missão de paz da ONU no Congo como oficina móvel. Os condutores realizam manutenção constante: “Nós pintamos… senão, é corroído pelo sal“.

## Tradição familiar ao volante

Ser camionista aqui é uma profissão herdada. Guillermo García Sanguinetti, ao volante de um veículo com mais de 30 anos de serviço na área com os caminhões anfíbios, enfatiza a segurança: “São carros velhos, não vou a nenhum lugar”.

Agustina Núñez dirige “Medusa“, um caminhão Río americano 6×6 pintado inspirado na mitologia: “Aprendi… minha mãe foi a primeira mulher a dirigir em 1989”.

Destaca que o 6×6 oferece mais potência que o 4×4 em terrenos difíceis, embora exija habilidade: “Você tem que pegar o jeito como a mão dos caminhões anfíbios”.

Único meio para chegar a Cabo Polonio
Único meio para chegar a Cabo Polonio, são os caminhões anfíbios

## Os caminhões anfíbios são uma experiência única na natureza selvagem

Para os turistas, o balanço faz parte do encanto. “Um pouco agitado, mas eu gosto. É sempre bom vir para Cabo Polonio“, comenta um passageiro.

Estes caminhões anfíbios, gigantes de aço transitam por um estreito corredor para minimizar o impacto nas dunas, único acesso a uma costa atlântica sem ruas ou carros, onde os lobos-marinhos superam em número os humanos.

O rugido de seus motores é hoje a trilha sonora da aventura em um dos cenários mais intocados do Uruguai.

Estes caminhões anfíbios são mais que transporte: são peças de história viva e guardiões de um ecossistema único, conectando o mundo moderno com a natureza indomada do Cabo Polonio.

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