O Alerce Abuelo na Patagônia: com 2.630 anos, a segunda árvore mais antiga do mundo está na Argentina

No Parque Nacional Los Alerces, província de Chubut, encontra-se o Alerce Abuelo, um exemplar de Fitzroya cupressoides cuja idade estimada é de 2.630 anos.

Com mais de 50 metros de altura, esta árvore é considerada a mais antiga da Argentina e a segunda mais longeva certificada do mundo, atrás de Matusalém, um pinheiro com mais de 4.850 anos na Califórnia, Estados Unidos.

Sua longevidade é explicada por dois fatores chave: o crescimento extremamente lento e a resistência de sua madeira, que evita a putrefação e lhe permite sobreviver a condições adversas durante milênios.

Um percurso único para chegar até ele

Visitar o Alerce Abuelo é uma experiência que combina natureza e aventura. O acesso é regulado e requer atravessar diferentes setores do parque:

  1. Passarela sobre o rio Arrayanes, na desembocadura do Lago Verde.
  2. Caminhada de 1 km até Puerto Chucao.
  3. Navegação em catamarã pelo Lago Menéndez.
  4. Chegada ao alerzal, perto do rio Cisne, onde convivem alerces com arrayanes, lianas e orquídeas silvestres.

O contato direto com a árvore é proibido. Os visitantes devem se submeter a uma desinfecção prévia e observá-la a um metro de distância, para preservar tanto o exemplar quanto o ecossistema circundante.

Como se determinou sua idade

A idade do Alerce Abuelo foi calculada mediante a análise de seus anéis de crescimento, que registram cada ano em duas camadas: uma de primavera e outra de outono.

  • Foi realizada uma perfuração controlada até o centro do tronco.
  • Foi extraída uma vareta fina de madeira que permitiu localizar seu nascimento há mais de dois milênios.

Este método revelou que a árvore conviveu com gerações de espécies locais como côndores, huemules e arrayanes, tornando-se um verdadeiro testemunho da história natural da Patagônia.

Alerce Abuelo
Conheça o Alerce Abuelo, a árvore mais longeva da Argentina no Parque Nacional Los Alerces.

Comparação com outras árvores longevas

  • Matusalém (Pinus longaeva, EUA): mais de 4.850 anos, considerado o organismo vivo individual mais antigo certificado.
  • Gran Abuelo (Chile): um alerce patagônico com idade estimada em 5.400 anos, embora seu cálculo se baseie em modelos computacionais e não em anéis.
  • Alerce Abuelo (Argentina): 2.630 anos, segundo mais longevo certificado no mundo.

A localização exata de Matusalém é mantida em segredo para protegê-lo, enquanto o Gran Abuelo ainda gera debate científico sobre a precisão de sua idade.

Valor cultural e ambiental

O Alerce Abuelo não é apenas um atrativo turístico, mas também um símbolo da conservação das florestas nativas. Sua preservação garante que futuras gerações possam admirar um organismo que sobreviveu a mudanças climáticas, incêndios e transformações humanas durante mais de dois milênios.

Além disso, o Parque Nacional Los Alerces foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 2017, em reconhecimento à importância de seus ecossistemas e à necessidade de protegê-los frente a ameaças como o desmatamento e a mudança climática.

O Alerce Abuelo é um monumento natural vivo, um testemunho silencioso da história da Patagônia e do planeta. Sua existência lembra a importância de conservar as florestas nativas e valorizar a biodiversidade como patrimônio comum da humanidade.

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