A América do Sul conta com mais de 300 parques nacionais, mas muitos permanecem fora do radar turístico e científico. Um deles, localizado no nordeste da província de Córdoba (Argentina), guarda um segredo extraordinário: o Mar de Ansenuza, também conhecido como laguna de Mar Chiquita, a maior lagoa salgada da América do Sul e a quinta mais extensa do mundo.
Um mar interior no coração da Argentina
Com mais de 6.000 km² de superfície, o Mar de Ansenuza se estende como um verdadeiro mar interior, onde o horizonte se confunde com o céu. Sua alta concentração de sais minerais gera um ambiente único e frágil, no qual apenas certas espécies conseguem se adaptar.
A paisagem, de tons rosados, cinzas e turquesas, atrai a cada ano fotógrafos, turistas, cientistas e amantes da natureza. No entanto, além de sua beleza, este pântano é considerado um dos mais importantes do continente por seu papel na conservação da biodiversidade.
Santuário de aves migratórias
O Parque Nacional Ansenuza é lar de mais de 350 espécies de aves, entre elas três variedades de flamingos:
- Flamingo austral.
- Parina grande.
- Parina chica.
Além disso, funciona como um corredor biológico para aves migratórias que chegam do Canadá, Estados Unidos e outras regiões do continente, consolidando sua relevância internacional.
Outras aves presentes incluem garças, cegonhas, colhereiros, maçaricos, biguás e patos, que encontram neste pântano um refúgio seguro.
Flora e fauna adaptadas à salinidade
A flora do parque é composta por espécies adaptadas à salinidade do solo:
- Árvores: algarobos, quebrachos, molle e horco quebracho.
- Arbustos e plantas: poejo, piquillín, peperina, tomilho, espartillares, juncais e totorais.
- Vegetação halófita: espécies resistentes à salinidade, típicas de pântanos salinos.
A fauna é igualmente diversa:
- Mamíferos: coipo, capivara, gambá vermelho, veado-catingueiro, cateto, raposa cinza pampeana, furão e gato-do-mato.
- Espécies ameaçadas: lontra e lobo-guará.
- Répteis e anfíbios: iguanas, lagartos, tartarugas terrestres, sapos e rãs.

Uma área protegida de escala continental
A criação do Parque Nacional Ansenuza foi um passo fundamental para proteger este ecossistema, ameaçado durante décadas pela expansão agrícola, a poluição e as alterações nos rios que o alimentam.
A área protegida ocupa cerca de 600.000 hectares, comparável em extensão com os grandes parques nacionais argentinos como Nahuel Huapi, Iguazú ou Los Glaciares. Além disso, é o ponto final da maior bacia endorreica da Argentina, ou seja, uma bacia sem saída fluvial para o oceano.
O nome “Ansenuza” provém da deusa das águas dos povos originários que habitavam a região, reforçando o vínculo cultural e espiritual com esta paisagem.
Turismo de natureza e atividades recreativas
O parque oferece múltiplas atividades para visitantes:
- Observação de aves.
- Fotografia de natureza.
- Caiaque em zonas permitidas.
- Caminhadas e percursos por mirantes panorâmicos.
Essas experiências permitem desfrutar da imensidão do pântano e, ao mesmo tempo, fomentar a educação ambiental e o respeito pela biodiversidade.
O Parque Nacional Ansenuza não só protege a maior lagoa salobra da América do Sul, mas também se ergue como um símbolo de conservação e resiliência. Sua riqueza ecológica, cultural e paisagística o converte em um tesouro continental, chave para a biodiversidade e para o futuro das gerações que buscam um planeta mais equilibrado.



