Uma equipe internacional de cientistas criou os primeiros mapas mundiais de alta resolução de fungos micorrízicos, utilizando mais de 2,8 bilhões de sequências de DNA fúngico coletadas em 130 países.
Esses organismos invisíveis, que formam redes simbióticas com as raízes das plantas, são essenciais para a fertilidade do solo, a captura de carbono e a resiliência dos ecossistemas.
Micorrizas: arquitetas invisíveis da vida terrestre
As micorrizas são associações entre fungos e raízes vegetais que formam vastas redes subterrâneas. Essas redes permitem:
- Troca de nutrientes entre plantas
- Resistência a pragas e secas
- Crescimento em solos pobres
- Captura de mais de 13 bilhões de toneladas de CO₂ por ano
Seu papel como sumidouros naturais de carbono é comparável ao de florestas e oceanos, mas sua ausência em políticas de conservação as deixa expostas a danos irreversíveis.
Uma biodiversidade sem proteção legal
Mais de 90% dos fungos micorrízicos não estão cobertos por áreas protegidas. O estudo revela que menos de 10% dos pontos críticos de biodiversidade fúngica estão dentro de áreas legalmente protegidas, o que representa uma lacuna preocupante em estratégias como o Convenio sobre a Diversidade Biológica e as metas 30×30.
A falta de reconhecimento legal implica que esses organismos não são considerados em avaliações de impacto ambiental nem em planos nacionais de biodiversidade, apesar de seu papel fundamental na estabilidade ecológica.
O atlas dos fungos micorrízicos em nível mundial[/caption>
Underground Atlas: uma ferramenta para restaurar de baixo para cima
Os mapas foram integrados na plataforma Underground Atlas, desenvolvida pela organização SPUN (Society for the Protection of Underground Networks). Essa ferramenta permite:
- Localizar pontos quentes de biodiversidade fúngica
- Identificar espécies raras ou ameaçadas
- Priorizar áreas de restauração ecológica
- Apoiar decisões baseadas em dados científicos
Já está sendo usada em colaboração com entidades como The Nature Conservancy e está sendo incorporada em projetos de restauração em regiões como a Amazônia, o Saara e o sudeste asiático.
Riscos invisíveis: ecossistemas em perigo devido à falta de cobertura legal
Casos como o da costa de Gana, onde existe um foco crítico de biodiversidade fúngica ameaçado pela erosão costeira, demonstram que a falta de proteção legal pode levar à perda irreversível de ecossistemas-chave.
“Quando essas redes subterrâneas são quebradas, os ecossistemas colapsam de baixo para cima”, alertam os pesquisadores.
Ciência do solo e políticas públicas: uma convergência necessária
Instituições como a NYU e organizações como a SPUN estão impulsionando a incorporação de dados fúngicos em regulamentações climáticas, políticas agrícolas e leis de conservação, alinhando os avanços da ciência do solo com as decisões ambientais globais.



