Preocupa a seca na Patagônia: o dramático relatório do INTA sobre o déficit hídrico que já dura 15 anos

Com uma diminuição das precipitações entre 30% e 40% em altas montanhas nos últimos anos, a seca na Patagônia Norte atinge hoje níveis críticos.

Assim revela um relatório recente realizado pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), que alerta sobre a gravidade do déficit hídrico na região.

O estudo intitulado “O recurso hídrico para o próximo verão e outono: mudança nas precipitações e temperaturas nas províncias de Río Negro e Neuquén” compartilhou dados alarmantes.

O mais relevante aponta que as bacias hidrográficas da região enfrentam um déficit prolongado, que se agravou durante este inverno.

secas na Patagônia

15 anos de déficit hídrico na Patagônia

Leonardo Claps, técnico do INTA Bariloche e coautor do relatório, explicou que a região atravessa um momento crítico.

“Isso faz com que todas as bacias, há muitos anos, venham com um déficit hídrico“, afirmou em declarações radiofônicas.

Em particular, este 2025 as bacias Limay e Neuquén, fundamentais para o sistema de energia elétrica do país, mostraram déficits significativos.

É que, segundo Claps, o regime pluviométrico se mantém abaixo da média há aproximadamente 15 anos.

No entanto, a seca na Patagônia se intensificou no ano passado pela ausência de acumulação de neve nas altas montanhas.

“A seca extraordinária deste inverno fez com que nas altas montanhas não se acumulasse água, o que provoca que a situação seja muito crítica“, advertiu o especialista.

A mudança climática como fator determinante

Entre as principais causas da seca recorrente na Patagônia, a mudança climática é a mais relevante, segundo a análise do INTA.

É que, na última década e meia, os padrões normais de precipitações se transformaram radicalmente.

“Esta mudança climática fez com que a normalidade deixasse de ser normal”, explica Claps nesse sentido.

O relatório se baseou em dados da AIC (Autoridade Interjurisdicional das Bacias) para Río Negro e Neuquén, complementados com medições de campo.

Doze países da África e Ásia estão em risco extremo pelas secas. Foto: Unsplash.

A origem e as consequências da seca na Patagônia

Outros fatores que estão por trás das secas na Patagônia são a poluição e a geração de gases de efeito estufa, segundo Claps.

As atividades econômicas extrativas e de consumo contribuem para o problema global.

“Há diferentes tipos de gases de efeito estufa que contribuem para a mudança climática“, explicou o pesquisador.

Além disso, agrava a situação o fato de que os protocolos globais para combater esta situação nunca foram cumpridos completamente, o que gera mudanças climáticas a nível planetário.

O especialista destacou também um fenômeno paradoxal: enquanto a região se torna mais seca, aparecem em seu lugar precipitações torrenciais incomuns.

Este tipo de chuvas concentradas não permite a infiltração adequada no solo, por isso não servem contra a seca na Patagônia.

“Ao cair tanta quantidade em tão pouco tempo, tudo isso evapora ou se transforma em uma inundação rápida“, detalhou Claps.

Assim, a água não penetra na camada superficial, impedindo a acumulação subterrânea necessária.

O impacto nos recursos hídricos

Os efeitos da seca na Patagônia incluem:

  • Ausência de acumulação de neve em altas montanhas durante o inverno
  • Redução de 30% a 40% de precipitações em relação a valores históricos normais
  • Déficit hídrico sustentado nas bacias Limay e Neuquén
  • Menor infiltração de água em camadas subterrâneas
  • Mudanças nos padrões tradicionais de precipitações

“A natureza não está nos dando a água que precisamos“, afirmou Claps.

Nesse sentido, o técnico advertiu que, se nas altas montanhas não cair neve durante a temporada, inevitavelmente faltará água nas zonas mais baixas.

A situação hídrica atual representa um dos momentos mais preocupantes na história da Patagônia Norte.

Frente a isso, o INTA continua monitorando as bacias para avaliar o impacto a médio e longo prazo.

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