O Aquarium de Mar del Plata, fechado em março de 2025, enfrenta um processo de falência que deixou a empresa operadora Plunimar S.A. sem receitas e com a obrigação de sustentar dezenas de animais com recursos cada vez mais escassos.
Neste cenário, a venda de exemplares se instalou como uma alternativa para gerar receitas, embora cercada de polêmica e sensibilidade social.
Os pinguins em disputa
O foco da discussão está em seis exemplares considerados de alto valor:
- 2 pinguins-rei (Aptenodytes patagonicus).
- 4 pinguins-de-penacho-amarelo (Eudyptes chrysocome).
Enquanto isso, os 56 pinguins-de-magalhães seriam doados à Fundação Bubalcó, em Río Negro, o que garante seu traslado para um ambiente controlado.
Tentativas de venda frustradas
O expediente judicial revela múltiplas negociações internacionais:
- México (junho 2025): oferta de 750.000 dólares por todos os exemplares.
- China (outubro 2025): proposta de 950.000 dólares com gestões diplomáticas, mas sem depósito.
- Brasil: Zoológico de São Paulo ofereceu 250.000 dólares por um lote parcial.
- Filipinas e Rússia (dezembro-janeiro): avaliação de 540.000 dólares, sem acordo final.
Nenhuma dessas operações prosperou, o que reflete as dificuldades de lidar com animais sob rigorosas normas internacionais.

Sensibilidade social e condicionantes legais
O caso gerou grande repercussão pública. O tribunal recebeu dezenas de e-mails solicitando parar a venda e priorizar traslados para santuários ou ambientes naturais controlados, inclusive avaliando possíveis reintroduções em habitats originais.
A sindicância esclareceu que a venda internacional ainda não está descartada, mas enfrenta múltiplos condicionantes:
- Licenças sanitárias e autorizações internacionais.
- Normas rigorosas de bem-estar animal e rastreabilidade.
- Transferências possíveis apenas para instituições habilitadas.
Um fator recente poderia favorecer as operações: a recuperação do status sanitário da Argentina como país livre de influenza aviária altamente patogênica, o que reativaria o interesse de compradores internacionais.
Traslado de mamíferos marinhos
O processo mais avançado é o dos leões-marinhos “Ciro”, “Joaco”, “Nazareno” e “Mía”, que serão transferidos para o Mundo Marino em San Clemente del Tuyú em 4 de maio. A operação contará com logística especializada: transporte em caminhão adaptado, jaulas individuais e normas internacionais IATA.
A falência do Aquarium de Mar del Plata expõe a tensão entre a necessidade econômica e a sensibilidade social frente ao destino de animais selvagens. Enquanto alguns exemplares serão doados e outros poderão ser exportados, o debate reflete a urgência de repensar modelos de gestão que priorizem o bem-estar animal e evitem que espécies emblemáticas se tornem ativos comerciais.



