A organização WCS Argentina, que monitora o elefante-marinho-do-sul há mais de quatro décadas, apresentou um relatório alarmante: a população desta espécie emblemática da Patagônia sofreu uma redução drástica de 61% em apenas um ano, como consequência da epidemia de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) registrada em outubro de 2023.
“Era impensável que uma população saudável passasse a estar em perigo de extinção em um ambiente relativamente intocado”, afirmou Valeria Falabella, diretora de conservação costeira-marinha da WCS Argentina.
Uma mudança de categoria na conservação
De “Preocupação menor” para “Em perigo” de acordo com os critérios da UICN.
O relatório, apresentado às autoridades de Chubut em setembro de 2025, estima uma população total de 19.871 indivíduos com mais de um ano, com reduções de 43% nos machos alfa, 60% nas fêmeas adultas e uma queda na produção de crias de 14.427 para 5.677.
Esses dados implicam uma mudança no estado de conservação da espécie, que passaria a ser considerada “Em perigo”.

Um sentinela do mar diante da crise climática
O elefante-marinho reflete o estado de saúde do oceano e suas ameaças emergentes.
O elefante-marinho-do-sul é a foca mais grande do mundo. Os machos podem atingir até 5 metros de comprimento e 4 toneladas, enquanto as fêmeas chegam a 3 metros e 900 kg.
Na Península Valdés, mais de 80% da população reprodutiva se concentra na Argentina, em uma área protegida reconhecida como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO.
Ciência colaborativa e monitoramento sustentado
O censo de 2024 envolveu mais de 20 especialistas de instituições nacionais e internacionais.
Para avaliar o impacto da epidemia, foi realizado um censo completo em outubro de 2024, com a participação de WCS Argentina, CESIMAR-CONICET, Universidad de California-Davis, Fundación Vida Silvestre, APN e autoridades provinciais. O próximo censo, em outubro de 2025, será fundamental para projetar cenários de recuperação.
“A pesquisa contínua permite entender e antecipar os efeitos de epidemias cada vez mais frequentes”, destaca Falabella.
Recomendações para proteger a espécie nas praias
Evitar perturbações durante a reprodução e muda é fundamental para sua sobrevivência.
- Manter uma distância de mais de 30 metros
- Impedir a aproximação de cães
- Não atirar pedras nem provocar deslocamentos
- Não interpor-se entre os animais e o mar
Gestão territorial e legislação ambiental
A WCS Argentina promove medidas de proteção dentro e fora de áreas naturais.
Além de instalar placas informativas e realizar campanhas de conscientização, a WCS acompanhou em 2025 a criação de uma lei provincial para a proteção do elefante-marinho-do-sul, que promove um manejo precaucionário e responsável nas costas de Chubut.
Foto de capa: WCS Argentina



