O zangão de Franklin (Bombus franklini), uma espécie endêmica do sul do Oregon e norte da Califórnia, desapareceu da natureza desde 2006, sem novos avistamentos registrados.
Sua extinção, durante anos envolta em mistério, foi esclarecida por um estudo publicado na revista PNAS, que descarta doenças como causa principal e aponta para uma combinação de baixa diversidade genética, endogamia e eventos ambientais extremos.
Um alcance geográfico limitado e uma história evolutiva frágil
Este himenóptero da família Apidae habitava uma faixa de apenas 34.437 km², o que o tornava um dos polinizadores mais vulneráveis do continente.
Entre 1998 e 2005, as observações passaram de 94 exemplares a apenas um, antes de desaparecer completamente em 2006, quando foi visto pela última vez no monte Ashland, Oregon.

ADN de museu: reconstruindo o passado genético
A equipe liderada por Rena Schweizer (USDA) e com participação de Lynn Kimsey e o falecido especialista Robbin Thorp, analisou ADN de fêmeas coletadas entre 1950 e 1998, conservadas no Museu de Entomologia Bohart. Os resultados revelaram:
- Diversidade genética extremamente baixa
- Altos níveis de homozigosidade, evidência de endogamia repetida
- Declínio populacional iniciado há mais de 11.000 anos, no Pleistoceno tardio
Incêndios e secas: aceleradores de uma extinção anunciada
Embora o colapso tenha começado muito antes da atividade humana moderna, os pesquisadores identificaram que nos últimos 400 anos, fatores como incêndios florestais e secas prolongadas agravaram a situação, afetando seu habitat restrito.
“Não encontramos evidências de que os patógenos tenham sido responsáveis pelo declínio inicial”, apontaram os autores.
Hábitos de polinização e ciclo de vida
Descrito por Henry J. Franklin em 1912, este zangão polinizava espécies como:
- Papoulas da Califórnia
- Lupinos, trevos, rosas silvestres, menta e ervilhas
Seu ciclo anual se estendia de maio a setembro, mas hoje brilha por sua ausência nos ecossistemas do oeste americano.
Lições para a conservação de polinizadores
O caso de Bombus franklini demonstra que as extinções podem ser gestadas durante milênios, e que a perda genética silenciosa pode ser tão letal quanto as ameaças visíveis. Os cientistas recomendam:
- Complementar estudos genéticos com monitoramento de campo
- Fortalecer a vigilância sobre espécies nativas com alcances geográficos reduzidos
- Desenvolver estratégias preventivas para evitar colapsos semelhantes
Um aviso para o futuro da biodiversidade
O desaparecimento do zangão de Franklin não foi produto exclusivo da ação humana recente, mas sim acelerado por fatores ambientais contemporâneos.
Este caso oferece ferramentas para antecipar e mitigar extinções em outros polinizadores que cumprem funções essenciais na reprodução de plantas silvestres e cultivos agrícolas.



