Polêmica pela possível transferência dos hipopótamos de Escobar para o centro Vantara na Índia: uma proposta que reacende o debate

O anúncio do empresário indiano Anant Ambani de transferir 80 hipopótamos colombianos descendentes dos introduzidos por Pablo Escobar para o centro de conservação Vantara, em Gujarat, Índia, gerou um intenso debate internacional.

A iniciativa surge após o plano do Governo colombiano de sacrificar esses animais para conter uma reprodução que poderia levar a população a superar os 1.000 exemplares em 2035.

Ambani defendeu a proposta afirmando: “Esses oitenta hipopótamos não escolheram onde nasceram, nem criaram as circunstâncias às quais agora enfrentam. São seres vivos e sensíveis, e se temos a possibilidade de salvá-los através de uma solução segura e humana, temos a responsabilidade de tentar”.

Vantara: um centro de conservação único

O centro Vantara, cujo nome significa “Estrela da Floresta” em hindi, ocupa mais de 1.400 hectares em Jamnagar e foi inaugurado em 2025 pelo primeiro-ministro Narendra Modi. Gerido pela Fundação Reliance, abriga mais de 2.000 animais de 43 espécies, incluindo elefantes, grandes felinos, herbívoros e répteis.

Seu objetivo declarado é resgatar e reabilitar animais em situação vulnerável, oferecendo atenção veterinária e, em alguns casos, preparando-os para uma possível liberação na natureza. A família Ambani assegura que o projeto combina filantropia, conservação e tecnologia, sem fins lucrativos nem exibição.

Hipopótamos na Colômbia: sugerem soluções alternativas à eutanásia para controlar esta espécie fora de lugar. Foto: BBC.
Os hipopótamos de Escobar poderiam ser transferidos para a Índia. 

Controvérsias e críticas

Apesar de sua magnitude, Vantara tem estado cercado de polêmicas:

  • Organizações conservacionistas denunciaram irregularidades na aquisição e transporte de animais, especialmente grandes felinos da África do Sul e elefantes transferidos de templos indianos.
  • Questiona-se o uso do código “Z” da CITES, que permite catalogar envios como destinados a zoológicos, contornando restrições comerciais.
  • Ativistas apontaram possíveis infrações à lei de proteção da fauna, irregularidades financeiras e dúvidas sobre o bem-estar animal em um ambiente próximo a uma das maiores refinarias do mundo.

O Tribunal Supremo da Índia recebeu múltiplas petições para auditar as operações, mas em setembro de 2025 concluiu que não existiam violações legais nem éticas, advertindo que perturbar a custódia de animais já realocados poderia causar mais danos.

Casos emblemáticos

Entre os episódios mais comentados estão:

  • A transferência da elefanta Mahadevi, que gerou protestos em Maharashtra e resultou em um recurso judicial.
  • A importação de grandes felinos africanos, que avivou o debate sobre o comércio global de espécies ameaçadas e a transparência de programas privados de conservação.

A proposta de transferir os hipopótamos de Escobar para a Índia reflete os dilemas da conservação moderna: é legítimo realocar espécies fora de seu habitat natural para salvá-las da eliminação? Enquanto o Governo colombiano defende o controle populacional como medida urgente, Ambani propõe uma alternativa filantrópica que, embora polêmica, busca dar uma segunda chance aos animais.

O caso evidencia a tensão entre bem-estar animal, conservação de ecossistemas e políticas públicas, e abre um debate global sobre o papel dos centros privados na proteção de espécies vulneráveis.

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