A NASA anunciou que o retorno de astronautas à superfície lunar ocorrerá em 2028, mais de meio século após a última alunissagem do programa Apollo em 1972.
A decisão implica a incorporação de uma missão adicional, Artemis III, prevista para 2027, que servirá como plataforma de testes antes da descida definitiva.
Artemis III: ensaio de novas tecnologias
A missão Artemis III terá como objetivo validar sistemas críticos em órbita baixa terrestre:
- Manobras de encontro e acoplamento com módulos de pouso desenvolvidos por SpaceX e Blue Origin.
- Verificação de sistemas de suporte vital, comunicações e propulsão.
- Testes dos novos trajes espaciais para atividades extraveiculares (xEVA).
Este passo intermediário busca garantir que os equipamentos estejam prontos para suportar missões prolongadas na superfície lunar.
Artemis II: a primeira missão tripulada
Prevista antes de Artemis III, a missão Artemis II será a primeira tripulada do programa. Levará a bordo quatro astronautas:
- Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch (NASA).
- Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense).
A tripulação destaca-se por sua diversidade: incluirá pela primeira vez uma mulher, uma pessoa negra e um astronauta não americano. Sua missão será realizar um voo ao redor da Lua seguindo uma trajetória inédita.

Artemis IV e além
A partir de 2028, a NASA planeja realizar pelo menos uma aterrissagem lunar a cada ano. O programa contempla a criação de infraestrutura permanente, como a plataforma Gateway, que funcionará como ponto de apoio para as missões e terá uma vida útil mínima de 15 anos.
Esta estrutura permitirá estadias prolongadas na Lua, marcando uma diferença com o programa Apollo, que acumulou apenas cerca de quinze dias de presença humana na superfície lunar.
Razões científicas e estratégicas
A NASA explicou que o retorno à Lua responde tanto a interesses científicos quanto estratégicos:
- Desenvolver habilidades para explorar recursos lunares.
- Estabelecer uma presença humana duradoura.
- Preparar o caminho para futuras explorações de maior alcance, como Marte.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, sublinhou a necessidade de avançar com rapidez e segurança, em um contexto de crescente competição geopolítica.
Problemas técnicos e ajustes
O atraso de Artemis II deveu-se a um problema técnico no sistema de hélio do foguete SLS (Sistema de Lançamento Espacial), o que motivou a inclusão de Artemis III como missão adicional de teste. A agência busca evitar riscos e assegurar que os novos sistemas estejam suficientemente testados antes da alunissagem de 2028.
O adiamento do retorno humano à Lua reflete a complexidade da missão e a ambição da NASA de estabelecer uma presença sustentada no satélite. Ao contrário do programa Apollo, o objetivo atual é construir infraestrutura e desenvolver capacidades que permitam viver e trabalhar na Lua durante longos períodos, abrindo a porta para uma nova era de exploração espacial.



