O navio de pesquisa Falkor (too), em colaboração com cientistas da Universidade da República (Udelar), está explorando o fundo do mar em águas uruguaias.
A mais de 3000 metros abaixo da superfície, o veículo robótico SuBastian opera em condições extremas de baixa temperatura (1,7°C) e alta pressão para revelar um ecossistema pouco conhecido.
Até agora, as descobertas estão impressionando os cientistas e espectadores: de polvos a pepinos-do-mar e formas de vida desconhecidas.
Vida e formações fascinantes no fundo do mar: o que o Uruguai encontrou em 200
As formas de vida que encontraram. (Foto: captura- Uruguai Sub200).
O robô SuBastian transmitiu imagens de um fundo arenoso habitado por uma variedade de criaturas. Foram documentados pepinos-do-mar, parentes distantes das estrelas-do-mar, com formas alongadas e arredondadas.
Além disso, o leito marinho mostra surpreendentes marcas em espiral, identificadas como rastros do verme bellota, que se enterra na areia, criando padrões únicos. Também foram avistadas marcas em forma de raios de sol, resultado de um tipo de verme, que se alimenta estendendo sua tromba em diferentes direções.
Explorando crateras submarinas e espécies únicas
A missão se concentrou em um pockmark, um grande cratera submarina. Essas formações geológicas se originam pela liberação de gases e também fornecem informações valiosas sobre as correntes marítimas. Um pesquisador comparou a precisão necessária para explorar essas áreas com a dificuldade de “pousar na lua”.
Entre as descobertas mais marcantes está um caranguejo de águas profundas, semelhante a uma lagostinha, e penas marinhas, organismos que crescem ancorados no fundo. Um dos momentos mais memoráveis foi a avistagem de um pulpo Cirroteuthis que ofereceu um “espetáculo” natural para as câmeras.
A expedição está focada em documentar e mapear os organismos e formações de interesse, avançando em direção aos pontos-chave do leito marinho para uma análise detalhada.
Como continua o Uruguai Sub200
Desde sexta-feira 22 de agosto até 20 de setembro, o Uruguai está realizando sua exploração do fundo do mar. Uma equipe de cientistas lidera “Uruguai Sub200: Viagem ao desconhecido”.
Eles procurarão estudar a fauna marinha e as estruturas geológicas da margem continental uruguaia.
A missão, que será realizada a bordo do Instituto Schmidt Ocean dos Estados Unidos, equipado com tecnologia de ponta, promete trazer conhecimentos inéditos sobre a biodiversidade e os ecossistemas de águas profundas.
As formas de vida em condições extremas. (Foto: captura- Uruguai Sub200).
Assim como ocorreu na Argentina com a missão do CONICET no cânion de Mar del Plata, promete ser impressionante.
Segundo explicou Leticia Burone, doutora em Geologia Marinha e professora da Faculdade de Ciências da Universidade da República, o trabalho de campo gerará informações que permitirão desenvolver pesquisas por “muitos anos”.
A transmissão pode ser acompanhada ao vivo pelo YouTube.



