As diatomáceas árticas, também conhecidas como algas unicelulares com paredes externas de vidro, surpreenderam a ciência ao demonstrar que não ficam imóveis ou enterradas nas condições de frio extremo como se pensava, de acordo com uma nova pesquisa da Stanford.
O artigo publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences, destaca a importância de estudar os ecossistemas polares antes que desapareçam. Essas algas unicelulares deslizam por canais congelados em temperaturas abaixo de zero recorde, impulsionadas por cordas mucosas e motores moleculares.
A pesquisa revelou que as diatomáceas permanecem ativas até -15 °C, o que é surpreendente. Essa temperatura é a mais baixa já registrada para o movimento de uma célula eucariótica, um tipo de célula complexa presente em plantas, animais e fungos, entre outros.
De acordo com o estudo, também foi demonstrado que seu deslocamento, ou patinação, não depende apenas das baixas temperaturas, mas também de uma combinação de muco e motores moleculares.
Um novo estudo revelou o comportamento das algas do Ártico. Foto: Wikipedia.
Como foi realizado o estudo?
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores realizaram uma expedição ártica de 45 dias no mar de Chukchi, a bordo do navio de pesquisa Sikuliaq, de propriedade da Fundação Nacional de Ciências e operado pela Universidade do Alasca Fairbanks.
Graças ao uso de microscópios desenvolvidos pelo Laboratório Prakash, a equipe conseguiu obter imagens do interior do gelo e documentar a atividade das diatomáceas árticas.
Para a análise, os especialistas coletaram núcleos de gelo em 12 estações durante o verão de 2023, dos quais extraíram diatomáceas para recriar seus ambientes em uma placa de Petri, que continha uma fina camada de água doce congelada e uma camada de água salgada muito fria.
Um novo estudo revelou o comportamento das algas do Ártico. Foto: Icebook.
Mais informações sobre as algas do Ártico
As diatomáceas árticas são microalgas unicelulares que fazem parte essencial do fitoplâncton e sustentam a base da cadeia alimentar marinha. Sua capacidade fotossintética converte a energia solar em biomassa, da qual dependem espécies-chave como o krill, os peixes e, em última instância, mamíferos marinhos e aves do Ártico.
Essas microalgas possuem paredes celulares de sílica com formas geométricas muito variadas, o que lhes confere uma grande resistência e facilita sua preservação nos sedimentos. Graças a isso, as diatomáceas também são utilizadas em estudos paleoclimáticos, pois seus restos ajudam a reconstruir mudanças ambientais passadas na região polar.
O papel ecológico das diatomáceas árticas é cada vez mais relevante diante da mudança climática. O recuo do gelo marinho modifica os ciclos de luz e nutrientes, alterando sua distribuição e abundância. Essas mudanças repercutem em toda a rede trófica, colocando em risco a produtividade e o equilíbrio dos ecossistemas do Ártico.



